- Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, com colaboração de Toronto e Harvard, estudaram uma dieta à base de plantas com baixo teor de proteína e suplementação de metionina (LDMM).
- Em ratos, a LDMM aumentou a expectativa de vida saudável, reduziu a massa gorda e a fragilidade; dados humanos de mais de 200 mil pessoas sugerem benefícios semelhantes, publicados em Cell Metabolism em 23 de junho.
- A dieta da longevidade é predominantemente vegana ou vegetariana, com peixe, e inclui pequenas quantidades de metionina; a alimentação inspirada na mediterrânea também oferece metionina suficiente para sustentar o efeito.
- Observou-se que a composição de aminoácidos, e não apenas a quantidade total de proteína, pode influenciar a saúde, com consumo elevado de proteína animal associando maior obesidade e diabetes; excesso de metionina pode reduzir benefícios da dieta.
- Os pesquisadores apontam a necessidade de ensaio clínico em humanos e ressaltam a importância do equilíbrio proteico para evitar fragilidade, especialmente em idosos.
A dieta à base de plantas associada a baixo teor de proteína e leve suplementação de metionina pode ampliar a longevidade saudável, segundo pesquisa liderada pela University of Southern California (USC) e publicada na revista Cell Metabolism. O estudo analisou modelos animais e dados de mais de 200 mil pessoas para avaliar efeitos na saúde.
Conduzidos por Valter Longo, da Escola de Gerontologia Leonard Davis, os pesquisadores contaram com colaboração de equipes de Toronto, Harvard e outras instituições. A pesquisa aponta vantagens de uma alimentação vegetal com traços da dieta mediterrânea, incluindo menor risco de obesidade e diabetes tipo 2.
Resultados em animais
Em camundongos, a dieta de longevidade com baixo teor de proteína e suplementação de metionina (LDMM) destacou-se. Animais nesse grupo apresentaram maior expectativa de vida saudável, menos gordura corporal e menor fragilidade, frente a dietas padrão, ocidental, ou cetogênica.
A pesquisadora Maura Fanti frisa que a variação de apenas um aminoácido provocou mudanças metabólicas expressivas. O estudo sugere que a composição de aminoácidos pode orientar intervenções metabólicas, além da quantidade total de proteína.
Resultados em humanos e próximos passos
Dados humanos, agregados a partir de estudos com mais de 200 mil pessoas, indicam que níveis mais altos de proteína animal, com maior metionina, associam-se a maior obesidade e ao dobro de incidência de diabetes, em comparação com dietas com menos proteína animal.
O consumo moderado de proteína e, mais precisamente, de metionina, pode influenciar a saúde cardiometabólica. Especialistas ressaltam que o equilíbrio entre proteína e aminoácidos é crucial, pois reduzir proteína excessivamente pode aumentar fragilidade, especialmente em idosos.
Longo afirma que o próximo passo é um ensaio clínico controlado em humanos para estudar o LDMM de forma direta. A equipe ressalta que dietas inspiradas no padrão mediterrâneo, com vegetais e peixe em pequenas quantidades, podem favorecer o metabolismo sem comprometer a massa muscular.
Observações finais dos especialistas
Nutrólogos destacam que a alimentação baseada em vegetais e peixe, com moderação de proteína, pode reduzir gordura corporal e melhorar o metabolismo. Entretanto, equilibrar a ingestão de proteínas é fundamental para evitar fragilidade em populações vulneráveis.
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