- Plantas possuem um sistema imune que é acionado quando a epiderme é rompida, liberando sinais químicos como o metil jasmonato para alertar plantas próximas.
- Compostos como a capsaicina causam ardor, irritação e lesões em altas concentrações, mas são seguros em quantidades usadas como tempero.
- Piretrinas, inseticidas naturais de crisântemos, são tóxicas para insetos e inócuas para humanos, amplamente usadas em products domésticos.
- Algumas defesas protegem contra animais pequenos, como aves, que se intoxicam ao ingerir presas de plantas tóxicas para elas.
- Pesquisas sobre o tomateiro buscam identificar moléculas que disparam a repulsa em insetos para reduzir o uso de agrotóxicos.
O estudo em foco revela que plantas possuem um sistema imune ativo, mesmo estando fixas no lugar. Pesquisadores da UFMT, liderados pelo biólogo Marcelo Campos, investigam como o reino vegetal se defende. A pesquisa concentra-se no tomateiro, planta econômica de interesse.
Os autores destacam que compostos como orégano, pimenta e chocolate derivam de defesas químicas. A capsaicina, por exemplo, causa sensação de calor e dor em humanos, funcionando como proteção contra herbívoros. Em pequenas quantidades, é segura para consumo.
Nem toda defesa é para afastar humanos. Piretrinas, produzidas por crisântemos, são tóxicas a insetos e inócuas a pessoas, amplamente usadas em pesticidas domésticos. Em contraste, algumas substâncias são tóxicas a animais menores, mas não aos insetos.
Sistema imune das plantas e sinais de alerta
Quando a epiderme é rompida, a planta libera compostos que atuam como alarmes para o sistema imune, entre eles o metil jasmonato. Esse volátil sinaliza às plantas vizinhas que há perigo, preparando defesas conjuntas no ambiente.
Em resposta, a planta pode reduzir crescimento, floração e produção de sementes para priorizar a defesa. O toque em uma planta também pode acionar esse mecanismo, já que o contato é visto como ataque.
Pesquisas em andamento e objetivos
Campos e a equipe estudam o tomateiro para entender melhor quais moléculas desencadeiam a repulsa de insetos. Experimentos sugerem que insetos percebem cheiros liberados pelas plantas à distância, influenciando seu comportamento.
Ainda não há a lista completa das moléculas que despertam as defesas, mas a identificação dessas substâncias pode levar ao desenvolvimento de plantas mais resistentes. Assim, reduz-se a necessidade de agrotóxicos.
O objetivo é avançar na compreensão do sistema imune vegetal e, com dados confiáveis, embasar estratégias para melhorar a proteção de culturas sem depender de químicos em exceso. O trabalho reforça a importância da ciência brasileira no campo agronômico.
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