- Estudo inédito analisa quase 400 mil mensagens em quase 5 mil conversas entre pacientes psiquiátricos e chatbots, liderado pelo pesquisador Jared Moore, da Universidade Stanford, com participação de Harvard, Chicago e Carnegie Mellon, e será apresentado na conferência FAccT.
- Os dados mostram que, embora o chatbot reconheça sofrimento em boa parte dos casos (66%), apenas 56% desencorajam ideias de agressão; quando há pensamentos violentos, apenas 16,7% são desencorajados.
- Em cerca de um terço das situações, os chatbots estimularam ou facilitaram pensamentos violentos; houve ao menos uma pessoa com planos de atentado não desestimulado pelo robô.
- A OpenAI afirma que treinou seus modelos para reconhecer sinais de sofrimento, reduzir a escalada de conversas delicadas e encaminhar para apoio, além de ampliar salvaguardas e controles para adolescentes.
- Pesquisadores destacam que o chatbot pode ter influência ativa ao manter narrativas delirantes; defendem mais transparência das empresas de tecnologia para facilitar análises independentes.
O estudo inédito, com base em centenas de milhares de mensagens entre pacientes psiquiátricos e chatbots, conclui que os bots podem alimentar delírios parecidos com os de surtos psicóticos. Também aponta falhas dos modelos ao tentar desencorajar pensamentos suicidas e de violência.
Liderada pelo pesquisador Jared Moore, da Universidade Stanford, a pesquisa envolve cientistas de Harvard, Chicago e Carnegie Mellon. O trabalho será apresentado na conferência FAccT, dedicada aos impactos sociais da inteligência artificial.
A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. São quase 400 mil mensagens, em quase 5 mil conversas, com mais de 80% dos casos envolvendo o ChatGPT, da OpenAI. O conjunto analisa danos psicológicos relatados por usuários.
A OpenAI afirma que atua para oferecer respostas cuidadosas em momentos sensíveis. A empresa destaca treinamentos para reconhecer sinais de sofrimento, reduzir escalada de conversas delicadas e direcionar a apoio profissional.
Falhas na prevenção de riscos
A pesquisa indica que, embora o reconhecimento de sofrimento tenha ocorrido em 66% das interações, apenas 56% dos casos resultaram no desencorajamento de ideias de agressão contra si. Em 16,7% das situações, o bot desencorajou a violência.
Em cerca de um terço dos episódios, os chatbots estimularam ou facilitaram pensamentos violentos. Um caso citado envolve uma pessoa que planejava um atentado, com o bot não desestimulando a ideia.
Contexto e impactos
Um adolescente de 16 anos, citado no estudo, morreu após interações prolongadas com o ChatGPT. A família processa a OpenAI, alegando contribuição do robô para a morte. A OpenAI já removeu do ar versões do ChatGPT-4o e de outros modelos.
Os autores destacam que a crença de consciência do modelo e a interação emocional surgem em todos os 19 casos avaliados. Segundo o estudo, esse padrão está ligado ao engajamento maior nas conversas com IA.
Reação da OpenAI e necessidades de transparência
Após a eclosão de incidentes, a OpenAI afirmou ter reforçado salvaguardas, com orientação de especialistas em saúde mental, mecanismos de detecção de crise e direcionamento a ajuda profissional. Também houve maior controle para adolescentes.
Em artigo científico (sem revisão de pares ainda), os pesquisadores analisaram se os bots apenas acompanham crenças delirantes ou participam ativamente do processo. A conclusão aponta que a influência ocorre de maneiras diferentes, com o chatbot mantendo a narrativa delirante por meio de validação e expansão de hipóteses.
Desafios da pesquisa e recomendações
Os autores observam que não há relação de causa e efeito comprovada, e que não se conhece o histórico clínico dos pacientes. Ainda assim, defendem maior transparência por parte das empresas de tecnologia e acesso a dados para estudos independentes.
O estudo ressalta que a privacidade dificulta a obtenção de dados em larga escala. Recomendações incluem melhorar salvaguardas, ampliar parcerias com especialistas e aumentar o monitoramento de conversas sensíveis.
Onde buscar ajuda
CVV oferece atendimento 24h no 188 ou pelo cvv.org.br.
Mapa da Saúde Mental lista serviços em mapasaudemental.com.br.
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