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Cientistas reconstruem dieta ancestral a partir de dentes

IA avalia desgaste dentário em 3D para reconstruir dietas de ancestrais humanos, ampliando referências de paleoecologia e evolução

A pesquisa utiliza análises do desgaste dentário para investigar hábitos alimentares de primatas — Foto: University of Barcelona
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  • Pesquisadores desenvolveram uma ferramenta baseada em inteligência artificial para reconstruir a dieta de ancestrais humanos a partir de marcas microscópicas no esmalte dentário.
  • O método analisa padrões de desgaste em dentes e classifica hábitos alimentares de primatas extintos, com maior consistência que técnicas anteriores.
  • O estudo, da Universidade de Barcelona, foi publicado no Scientific Reports em vinte e oito de abril e utiliza aprendizagem de máquina para trabalhar com superfícies dentárias em três dimensões.
  • A pesquisa treinou modelos com dentes de primatas atuais cujas dietas são conhecidas, para que os algoritmos aprendam a reconhecer padrões associados a diferentes tipos de alimentação.
  • O objetivo é aplicar os modelos a fósseis africanos e da Península Ibérica, datados entre quatro milhões e um milhão de anos atrás, e ampliar a amostra para aumentar a precisão.

Uma equipe da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, desenvolveu uma ferramenta baseada em IA para reconstruir a dieta de ancestrais humanos e de primatas extintos a partir de marcas microscópicas no esmalte dentário. O estudo, publicado em 28 de abril na Scientific Reports, utiliza aprendizado de máquina para classificar hábitos alimentares de forma mais objetiva.

A técnica analisa o desgaste dentário em três dimensões, gerando padrões que ajudam a inferir se os alimentos eram macios ou abrasivos. Pesquisadores já usavam métodos bidimensionais; a nova abordagem amplia o volume de informações disponíveis nas superfícies dos dentes, com mais precisão.

Técnica de IA para desgaste dentário

Diante do grande volume de dados, modelos treinados com dentes de primatas vivos, com dietas conhecidas, aprenderam a associar padrões 3D a tipos de alimentação. Assim, é possível interpretar fósseis com menos dependência da leitura de especialistas.

Além de primatas, a pesquisa foca em hominídeos fósseis encontrados na África e na Península Ibérica, datados entre 4 milhões e 1 milhão de anos atrás. Esse intervalo coincide com mudanças climáticas que alteraram ecossistemas locais.

Perspectivas e próximos passos

A equipe pretende ampliar a amostra, incorporando mais espécies e ambientes, para tornar o modelo mais robusto. Novas dietas bem caracterizadas e fatores ecológicos devem reforçar a confiabilidade das interpretações em 3D.

Segundo Laura M. Martínez, autora principal, o objetivo é criar referências de primatas que orientem a leitura de dietas ancestrais, integrando dados paleoecológicos e climáticos.

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