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Dor sem lesão: pesquisa aponta problema que atinge 3 em 10 crianças

Estudo aponta que 86% das crianças recuperam-se em 18 meses; 14% têm dor crônica, com episódios de recaída

Cerca de três em cada dez crianças e adolescentes brasileiros relatam ou já relataram dores intensas nas costas, pernas, músculos ou articulações, mesmo sem terem sofrido quedas, pancadas ou qualquer lesão aparente – depositphotos.com / IgorVetushko
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  • Cerca de trinta por cento de crianças e adolescentes brasileiros relatam dor musculoesquelética incapacitante, sem lesão aparente.
  • Estudo de dezoito meses, conduzido pela UNICID em parceria com a Universidade de Sydney e apoio da FAPESP, acompanhou jovens com esse tipo de dor.
  • Ao final, oitenta e seis por cento apresentaram recuperação em algum momento; quinze por cento evoluíram para dor crônica, com impacto persistente.
  • Fatores de recuperação: crianças mais novas, melhor qualidade de vida e ambiente familiar favorável; adolescentes tendem a recuperação mais lenta.
  • Recomenda-se abordagem multidisciplinar, com fisioterapia, atividade física orientada e suporte psicológico, além de envolver família e escola para manejo da dor.

Cerca de 30% de crianças e adolescentes brasileiros relatam dores intensas nas costas, pernas, músculos ou articulações sem sofrerem lesões aparentes. Um estudo da UNICID, com parceria da Universidade de Sydney e apoio da FAPESP, analisa o tema ao longo de 18 meses.

A pesquisa acompanhou jovens com dor musculoesquelética incapacitante para entender evolução, fatores de recuperação e cronificação. O objetivo é orientar famílias, escolas e profissionais de saúde sobre quando a dor é um sinal de alerta.

O que é dor musculoesquelética incapacitante

A condição envolve dor em músculos, ossos, articulações ou regiões como costas e pescoço que prejudica atividades diárias, como ir à escola, treinar e brincar. Muitas vezes não há lesão visível e exames não mostram alterações.

Ao final de 18 meses de acompanhamento, cerca de 86% dos jovens apresentaram recuperação em algum momento, com queda significativa da dor. Ainda assim, 14% evoluíram para dor crônica com impacto funcional continuado.

Entre os que melhoraram, um terço teve episódios de dor novamente durante o período, indicando padrão de melhora e recaída, não resolução definitiva. O estudo aponta necessidade de acompanhamento contínuo.

Fatores que influenciam a recuperação

Crianças mais novas tendem a melhorar mais rápido que adolescentes. Qualidade de vida boa no início do estudo, menos estresse e apoio familiar contribuem para desfechos mais favoráveis. Ambiente familiar está relacionado à recuperação.

Adolescentes mostraram recuperação mais lenta, com fatores como mudanças hormonais, pressão escolar, uso de telas e imagem corporal influenciando o risco de persistência da dor. Sono irregular e menos atividade física também afetam.

Por que dores sem lesão são subestimadas

Profissionais costumam interpretar a ausência de alterações em exames como ausência de problema. Pesquisadores defendem que dor pode ser real mesmo sem dano estrutural, integrada a fatores físicos, emocionais e sociais.

Essa dor é descrita como experiência biopsicossocial: componentes biológico, psicológico e social atuam juntos. Ignorar qualquer um desses aspectos reduz a eficácia do tratamento.

Cuidados recomendados pelos pesquisadores

Os autores recomendam abordagem multidisciplinar: avaliação médica para descartar doenças específicas, fisioterapia para recuperar função e reintrodução gradual de atividades. Atividade física orientada ajuda a reduzir recaídas.

Quando há ansiedade, estresse ou depressão, acompanhamento psicológico é indicado. A família e a escola devem ser envolvidas, com acolhimento e ajustes na rotina para evitar rótulos de manha.

Sobre o contexto e prevenção

O estudo insere-se no aumento de queixas de dor em crianças nas últimas décadas. Sedentarismo, tempo excessivo em telas e mudanças no lazer contribuem para quadros de fadiga e dores musculares.

Especialistas ressaltam que prevenir a cronificação envolve hábitos diários: prática regular de atividade física, sono adequado, equilíbrio entre estudo e lazer e suporte emocional em casa e na escola.

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