Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Sedimentos do fundo do mar revelam pistas sobre a Amazônia

Sedimentos submarinos revelam variação hidroclimática mais dinâmica na Amazônia nos últimos dois milhões de anos, conectando regimes globais de clima.

A ciência não é linear. E talvez seja exatamente por isso que ela continue sendo capaz de nos surpreender
0:00
Carregando...
0:00
  • O testemunho sedimentar CDH-79, coletado na margem continental brasileira, mostra um registro climático de até aproximadamente 2 milhões de anos na Amazônia, a 2.345 metros de profundidade.
  • As análises com radiocarbono e isótopos de oxigênio confirmam um dos mais longos registros paleoclimáticos já obtidos para a região amazônica.
  • O estudo, liderado por Paul Baker e Cleverson Guizan, buscou entender a evolução climática e biogeográfica da América do Sul tropical ao longo do Quaternário, com resultados publicados na revista Communications Earth & Environment.
  • Os dados indicam que a variabilidade hidroclimática da Amazônia nos últimos dois milhões de anos foi mais dinâmica do que se imaginava, associando períodos glaciais a variações na descarga sedimentar e a eventos úmidos intensos influenciados por mudanças no Atlântico Norte.
  • A história também aborda a relação entre ciência e sociedade: a trajetória de Allan Sandes, morador de favela no Rio de Janeiro, ilustra que políticas públicas de inclusão podem romper barreiras e ampliar quem produz conhecimento.

O estudo sobre os sedimentos do fundo do mar revela informações-chave sobre a história climática da Amazônia. O projeto envolve pesquisadores brasileiros e internacionais que analisaram registros de 2 milhões de anos, coletados na margem continental brasileira, sul do Cone do Amazonas.

A expedição que originou o testemunho CDH-79 ocorreu em fevereiro de 2010 a bordo do navio oceanográfico R/V Knorr, na Bacia Pará-Maranhão. A equipe, liderada por Paul Baker e Cleverson Guizan, buscava compreender a evolução climática da América do Sul tropical ao longo do Quaternário.

O CDH-79 está localizado num montículo submarino a 2.345 metros de profundidade. Sua importância não está apenas na localização, mas na extensão temporal preservada nos sedimentos, que apontou uma idade próxima a 2 milhões de anos.

Ao inserir dados de radiocarbono e isótopos de oxigênio, os pesquisadores confirmaram a robustez das datas. O registro figura entre os mais longos já obtidos para a região amazônica, abrindo uma janela para entender variações climáticas no período.

As análises mostraram que a hidroclimatologia da Amazônia foi mais dinâmica do que se pensava. Em certos momentos, períodos glaciais estiveram associados a maiores descargas sedimentares e a eventos extremamente úmidos, conectados a mudanças no Atlântico Norte.

A pesquisa reforça a ideia de que mudanças na circulação oceânica do Atlântico Norte influenciaram sistemas atmosféricos tropicais e, consequentemente, os regimes de água na América do Sul. Os resultados foram publicados na revista Communications Earth & Environment.

NOVAS HISTÓRIAS PARA A AMAZÔNIA

O estudo integra o tema maior da relação entre ciência, sociedade e acesso ao conhecimento. O pesquisador Allan Sandes, morador do Rio de Janeiro, relata como políticas públicas de inclusão impulsionaram trajetórias acadêmicas inusitadas.

A trajetória de Sandes teve início com ingresso na universidade pública por meio de programas voltados a estudantes socialmente vulneráveis. A ponte entre a universidade brasileira e a Duke University ocorreu durante o doutorado, com supervisão de Paul Baker.

A experiência também trouxe um questionamento central: quem produz ciência e quem tem acesso aos seus espaços? Sandes afirma ter reconhecido que políticas de inclusão podem romper barreiras históricas na produção científica.

DUAS HISTÓRIAS, UMA LIÇÃO

De volta à Duke University, Sandes retornou à universidade pública onde iniciou a formação, chegando a liderar projetos de educação científica em escolas periféricas e a receber reconhecimentos como o Prêmio Capes de Tese. O percurso evidenciou que talentos podem emergir de comunidades antes marginalizadas.

Através do testemunho CDH-79, a pesquisa mostrou uma Amazônia mais dinâmica, com regimes hidrológicos complexos ao longo de 2 milhões de anos. A história também reforçou que o conhecimento cresce quando se desafiam pressupostos sobre quem pode produzir ciência.

Os autores destacam que o caminho da ciência envolve pertencimento, mostrando que jovens de áreas periféricas podem contribuir com pesquisas de ponta, publicar em periódicos internacionais e influenciar o entendimento da história climática do planeta.

Este conjunto de evidências sugere que o avanço científico envolve repensar paradigmas tanto sobre o clima quanto sobre a participação na ciência. Muda-se, assim, a percepção de linearidade na produção do conhecimento.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais