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Tecnologia transforma umidade do ar em água potável

Polímero reciclado capta água da umidade do ar; até seis litros por dia, com sistema híbrido de energia, em teste de campo em Lima, Peru

Na imagem, câmara de dessorção térmica contendo hidrocélulas do sistema durante o processo de liberação da água adsorvida
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  • Pesquisadores da Unesp, em parceria com o IGTPAN, desenvolveram um sistema que produz água potável a partir da umidade do ar, gerando entre quatro e seis litros por dia no protótipo.
  • A tecnologia usa um polímero superabsorvente chamado PANSAP, feito a partir de resíduos têxteis reciclados, que absorve vapor d’água na superfície e o libera como água líquida após aquecimento moderado.
  • O sistema funciona em módulos chamados hidrocélulas, agrupados em hidrobaterias; pode ser alimentado por energia solar, em configuração híbrida com aquecimento elétrico e painéis fotovoltaicos.
  • O polímero custa cerca de US$ dois e cinquenta por quilograma; a água obtida tem alto grau de pureza e requer adição de sais minerais posteriormente.
  • Há testes de campo previstos para Lima, no Peru, com apoio da Fapesp; a solução promete vida útil superior a dez anos e escala modular para atender comunidades.

A Unesp, em parceria com o IGTPAN, desenvolveu um sistema que produz água potável a partir da umidade do ar. O protótipo utiliza um polímero superabsorvente feito a partir de resíduos têxteis reciclados para captar vapor e devolvê-lo como água líquida. O estudo foi descrito na revista NPJ Clean Water.

O sistema funciona com módulos chamados hidrocélulas, que atuam como esponjas de umidade na superfície e liberam água por aquecimento moderado. Em testes de quase um ano, a produção ficou entre 4 e 6 litros por dia, com consumo energético relativamente baixo.

Como funciona a tecnologia

O polímero PANSAP, derivado de fibras têxteis recicladas, forma uma rede que retém água nos poros. Cada grama do material absorve de 200 a 300 gramas de água. Em ambiente úmido, a adsorção chega a 80% da massa.

O processo utiliza aquecimento entre 55 °C e 80 °C para condensar o vapor. A água resultante tem alta pureza, com baixos níveis de amônia e ausência de contaminantes orgânicos detectáveis. A água é recomendada para ser mineralizada antes do consumo.

Custos, eficiência e sustentabilidade

A equipe compara o polímero a MOFs, citando custo de produção significativamente menor. O polímero custa cerca de US$ 2,50 por kg, frente a valores altos de alguns MOFs em uso de pesquisa.

O sistema é modular: uma unidade com 10 kg de material pode gerar até 6 litros diários de água. A capacidade pode ser ampliada com mais módulos para atender comunidades pequenas. A água obtida requer ajuste mineral após a coleta.

Benefícios e próximos passos

O protótipo pode ser alimentado por energia solar, com funcionamento possível em rede ou de forma autônoma. A pesquisadora destaca que soluções simples e baratas têm maior chance de aplicação social.

Um teste de campo está programado para Lima, no Peru, em uma comunidade que hoje depende de captação artesanal e caminhões-pipa. O estudo foi apoiado pela Fapesp e já tem a patente do polymer no Brasil e nos EUA.

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