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Biólogos encontram antidepressivo no cérebro de tubarões no RJ

Sertralina, antidepressivo, é encontrada no cérebro de tubarões-martelo no RJ, evidenciando contaminação por fármacos e implicando riscos ao ecossistema costeiro

Na imagem, o tubarão-martelo, espécie ameaçada e essencial para o equilíbrio marinho. Sua presença regula e estabiliza a cadeia trófica
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  • Cientistas do projeto EcoShark da UFRJ encontraram sertralina no tecido cerebral de tubarões-martelo em praias do Rio de Janeiro.
  • Os animais foram capturados acidentalmente em redes de pesca no Recreio, Barra da Tijuca e Copacabana; tubarões são predadores de topo e acumulam contaminantes na cadeia alimentar.
  • A sertralina chega aos oceanos pelo esgoto, ainda com tratamento inadequado; no Rio de Janeiro apenas cerca de quarenta e sete por cento do esgoto é efetivamente tratado.
  • Estudos em outras regiões também apontam presença de drogas em tubarões, como em Bahamas, onde cocaína, cafeína e analgésicos foram detectados no sangue de animais.
  • A descoberta aponta para três problemas interconectados: saúde mental, saneamento e conservação de tubarões-martelo; é defendida a ampliação de monitoramento ambiental, modernização do tratamento de esgoto e maior financiamento à ecotoxicologia marinha.

O grupo EcoShark da UFRJ identificou sertralina, ativo do Zoloft, no tecido cerebral de tubarões-martelo na costa do Rio de Janeiro. A descoberta foi apresentada como estudo em andamento, ainda não publicado, e aponta contaminação por fármacos na vida marinha.

O pesquisador principal, ligado ao Instituto de Biofísica da UFRJ, destaca que a investigação envolve especialistas como José Neto e Victor Alves. Os tubarões foram capturados acidentalmente em redes de pesca no Recreio, Barra da Tijuca e Copacabana.

A sertralina é um antidepressivo amplamente prescrito no Brasil. Em 2025, as vendas de antidepressivos cresceram 11% em relação ao ano anterior, e 18,6% a mais de brasileiros usar amedicação entre 2022 e 2024.

A via de entrada do fármaco envolve o esgoto: entre o consumo humano e o mar, o composto pode ser excretado inalterado ou metabolizado. Estações de tratamento comuns não removem totalmente esses resíduos, contribuindo para a contaminação ambiental.

No Rio, cerca de 47% do esgoto é efetivamente tratado, segundo o SNIS. Em emissários submarinos em Ipanema e Barra da Tijuca, fármacos são liberados sem remoção completa, chegando ao ambiente costeiro.

Estudos internacionais demonstram que tubarões podem acumular contaminantes, com alterações fisiológicas observadas em tubarões de Bahamas. A detecção de cocaína, cafeína e analgésicos em tubarões sugere efeitos potenciais na bioquímica desses predadores.

Ainda não há confirmação de alterações comportamentais nos tubarões cariocas. Sabe-se apenas que a sertralina atua sobre serotonina, e a similaridade entre mecanismos neuroquímicos pode permitir interações. Pesquisadores apontam necessidade de mais dados.

Três frentes de ação são apontadas como urgentes: monitoramento de fármacos em espécies marinhas, modernização do saneamento para remover micropoluentes e maior fomento à ecotoxicologia marinha, considerando a costa brasileira.

A divulgação reforça a importância de políticas públicas que tratem medicamentos como poluentes emergentes. A pesquisa EcoShark reforça a necessidade de financiamento estável e de métodos padronizados para avaliar impactos na vida marinha.

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