- No Brasil, terremotos raramente são sentidos ou causam danos na superfície, mas já provocaram vítimas e avarias ao longo dos séculos.
- Entre 1720 e 2023, a Rede Sismográfica Brasileira registra cinco mil, quinhentos e setenta e um abalos sísmicos no país.
- Nesta semana, moradores de Amazonas, Roraima, Pará e Amapá sentiram abalos após tremores que atingiram a Venezuela, causando mortes e destruição no exterior.
- A região Nordeste concentra a maior atividade sísmica no Brasil, com casos marcantes em João Câmara (1986), Pacajus (1980) e Caraíbas (2007), incluindo mortes e desabamentos.
- Movimentos induzidos pela atividade humana, como extração de petróleo, podem provocar sismos; o Brasil tem monitoramento sísmico em expansão e planos de infraestrutura, com investimentos da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para mapear o subsolo.
O Brasil registra terremotos com impactos pontuais, embora sejam raros. Dados da Rede Sismográfica Brasileira apontam 5.571 abalos entre 1720 e 2023, com ocorrências muito menos frequentes na superfície. O país permanece entre os menos afetados da região.
Nesta semana, moradores de Amazonas, Roraima, Pará e Amapá sentiram abalos ligados a tremores ocorridos na Venezuela, que deixaram mortes e destruição. Em território brasileiro, a sensação comum é de tremor leve a moderado.
Ainda que o epicentro esteja fora do país, ondas sísmicas podem chegar a cidades brasileiras. Em áreas urbanas, prédios altos costumam amplificar o efeito, conforme explica o geofísico Marcos Ferreira, do SGB.
Apesar da relativa estabilidade, o Brasil tem registros históricos de danos e fatalidades. Em 1886, Dom Pedro II viveu o abalo de Petrópolis, estimado em 4,3 graus, o que levou ao início de estudos sismológicos no país.
O maior tremor registrado no Brasil ocorreu em 1955, com epicentro a 370 km de Cuiabá, e magnitude estimada em 6,2. O episódio interrompeu festas locais, ainda que não haja registro completo da imprensa da época.
A profundidade dos abalos atua como limitador dos impactos. Tremores de grande magnitude, ocorridos a grande profundidade, tendem a oferecer menor efeito sobre a superfície e a população.
Entre 2015 e 2018, sismos de alta magnitude ocorreram na fronteira Brasil-Peru, a cerca de 600 km de profundidade, o que reduziu danos perceptíveis em áreas urbanas. Em 1994, tremor no sul do Brasil teve epicentro na Bolívia, a milhares de quilômetros de distância.
No Nordeste brasileiro, a atividade sísmica é historicamente mais intensa por falhas geológicas ativas. Em 1986, João Câmara (RN) sofreu abalo de 5,1, com danos a milhares de edificações e desabrigos. Outras ocorrências atingiram Ceará.
A Região registra ainda tragédias locais, como a morte de uma menina na comunidade Caraíbas, MG, em 2007, causada pela queda de construções durante um tremor de 4,9. Ao todo, várias estruturas da região sofreram danos.
Contexto histórico
A posição da placa Sul-Americana tende a proteger o Brasil de grandes tremores. No entanto, terremotos induzidos pela atividade humana já foram observados no país, especialmente ligados a barragens, mineração e extração de fluidos.
A construção de grandes projetos energéticos motivou pesquisas sísmicas. Entre 1971 e 1979, a região de Capivari-Cachoeira, no PR, apresentou sismo induzido. Em 2008, a Petrobras ampliou o monitoramento sísmico com investimentos significativos.
A ANP e a Petrobras apoiaram a instalação de tecnologias avançadas para monitorar abalos. Em planos anunciados, o Brasil pretende ampliar a capacidade de observar o subsolo, especialmente na Bacia de Santos, para entender movimentos de fluidos como óleo e água.
Entre na conversa da comunidade