Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Uvas esquecidas viram ativo estratégico da indústria do vinho

Frente ao aquecimento global, uvas consideradas inconvenientes ganham valor estratégico, preservando identidade e equilíbrio de rótulos premium

Fundada em 1808, a vinícola da família Drappier, na região de Champagne, resgatou as castas Arbane e Petit Meslier (Foto: champagne-drappier.com)
0:00
Carregando...
0:00
  • A crise climática levou vinicultores a buscar castas esquecidas para preservar a identidade e a qualidade de rótulos diante do aquecimento global.
  • Em 2024, revisão publicada pela Universidade de Bordeaux aponta que cerca de noventa por cento das regiões vinícolas tradicionais de planície e costeiras da Espanha, Itália, Grécia e sul da Califórnia podem se tornar inviáveis até o fim do século.
  • No Champagne, castas como Arbane e Petit Meslier voltam a ganhar espaço para manter a acidez e o frescor, com o uso em rótulos como o Drappier Quattuor e outras produções limitadas. A acidez total local caiu, em média, cerca de 1,3 grama por litro nos últimos trinta anos.
  • Em Piemonte e na Catalunha, uvas resgatadas como Timorasso e Forcada, respectivamente, mostram resistência ao calor e à seca, resultando em exemplares com acidez vibrante e guarda longa.
  • Essas iniciativas destacam a busca por autenticidade e equilíbrio em vinhos de alto padrão, com produtores e importadoras ressaltando o valor de castas antigas diante do novo cenário climático.

O avanço da crise climática reconfigura a vitivinicultura. Vinicultores buscam castas quase extintas para preservar a identidade de seus rótulos diante do aumento de temperatura. Tais uvas, antes rejeitadas, ganham espaço estratégico.

Estudos de 2024, publicados na Nature Reviews Earth & Environment, apontam que até o fim do século até 90% das vinhas tradicionais de planície na Espanha, Itália, Grécia e sul da Califórnia podem tornar-se inviáveis. Zonas como Bordeaux, Champagne e Borgonha sentem impactos semelhantes.

A mudança climática eleva açúcares nos frutos, reduzindo acidez e frescor. Produtores passam a caçar castas esquecidas para manter o equilíbrio dos vinhos sob novas condições de temperatura e maturação.

Arbane e Petit Meslier ganham vez no Champagne

Na região de Champagne, Arbane e Petit Meslier ressurgem para manter acidez e elegância. A acidez média de vinhos locais caiu cerca de 1,3 g/L nos 30 anos, segundo o Comité Champagne, afetando estilo e potencial de guarda.

A proposta envolve vinhos com rótulos que associam quatro castas brancas: Chardonnay, Blanc Vrai, Arbane e Petit Meslier. Projetos de casas locais incluem Drappier, Moutard e produtores independentes, ampliando o leque criativo.

Casos de recuperação na França e na Itália

O Champagne Drappier lançou o Quattuor, cuvée que equaliza em quatro castas brancas. A vinícola descreve o vinho como único na combinação de Chardonnay, Blanc Vrai, Arbane e Petit Meslier. A proposta é preservar diversidade e acidez sob calor.

Na Itália, a Timorasso no Piemonte ganha destaque. Sob a liderança de Walter Massa, a casta se tornou símbolo de resistência e guarda, com produções que valorizam textura mineral e pH baixo.

Catalunha e outras frentes de resgate

Na Catalunha, a Familia Torres coordena recuperação de cepas resistentes à praga do século XIX. O projeto resulta em vinhos com boa acidez e adaptação às secas, ampliando opções de brancos com identidade regional.

Em vinhedos da região, a Forcada, variedade branca de amadurecimento lento, permite colheitas em outubro, preservando aromas e acidez sob estresse térmico. A iniciativa gerou rótulos de edição limitada e maior resistência climática.

Conclusões sobre o movimento

Em várias regiões europeias, castas resgatadas destacam-se pela resistência a altas temperaturas e seca. Pesquisadores e produtores veem nas uvas ancestrais uma resposta ao aquecimento global, mantendo variedade e qualidade dos vinhos premium.

Para especialistas do setor, o interesse do consumidor por autenticidade e histórias dos vinhos favorece esse movimento. A aposta é que castas esquecidas passem a compor o repertório de produtores que visam equilíbrio e longevidade.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais