- A crise climática levou vinicultores a buscar castas esquecidas para preservar a identidade e a qualidade de rótulos diante do aquecimento global.
- Em 2024, revisão publicada pela Universidade de Bordeaux aponta que cerca de noventa por cento das regiões vinícolas tradicionais de planície e costeiras da Espanha, Itália, Grécia e sul da Califórnia podem se tornar inviáveis até o fim do século.
- No Champagne, castas como Arbane e Petit Meslier voltam a ganhar espaço para manter a acidez e o frescor, com o uso em rótulos como o Drappier Quattuor e outras produções limitadas. A acidez total local caiu, em média, cerca de 1,3 grama por litro nos últimos trinta anos.
- Em Piemonte e na Catalunha, uvas resgatadas como Timorasso e Forcada, respectivamente, mostram resistência ao calor e à seca, resultando em exemplares com acidez vibrante e guarda longa.
- Essas iniciativas destacam a busca por autenticidade e equilíbrio em vinhos de alto padrão, com produtores e importadoras ressaltando o valor de castas antigas diante do novo cenário climático.
O avanço da crise climática reconfigura a vitivinicultura. Vinicultores buscam castas quase extintas para preservar a identidade de seus rótulos diante do aumento de temperatura. Tais uvas, antes rejeitadas, ganham espaço estratégico.
Estudos de 2024, publicados na Nature Reviews Earth & Environment, apontam que até o fim do século até 90% das vinhas tradicionais de planície na Espanha, Itália, Grécia e sul da Califórnia podem tornar-se inviáveis. Zonas como Bordeaux, Champagne e Borgonha sentem impactos semelhantes.
A mudança climática eleva açúcares nos frutos, reduzindo acidez e frescor. Produtores passam a caçar castas esquecidas para manter o equilíbrio dos vinhos sob novas condições de temperatura e maturação.
Arbane e Petit Meslier ganham vez no Champagne
Na região de Champagne, Arbane e Petit Meslier ressurgem para manter acidez e elegância. A acidez média de vinhos locais caiu cerca de 1,3 g/L nos 30 anos, segundo o Comité Champagne, afetando estilo e potencial de guarda.
A proposta envolve vinhos com rótulos que associam quatro castas brancas: Chardonnay, Blanc Vrai, Arbane e Petit Meslier. Projetos de casas locais incluem Drappier, Moutard e produtores independentes, ampliando o leque criativo.
Casos de recuperação na França e na Itália
O Champagne Drappier lançou o Quattuor, cuvée que equaliza em quatro castas brancas. A vinícola descreve o vinho como único na combinação de Chardonnay, Blanc Vrai, Arbane e Petit Meslier. A proposta é preservar diversidade e acidez sob calor.
Na Itália, a Timorasso no Piemonte ganha destaque. Sob a liderança de Walter Massa, a casta se tornou símbolo de resistência e guarda, com produções que valorizam textura mineral e pH baixo.
Catalunha e outras frentes de resgate
Na Catalunha, a Familia Torres coordena recuperação de cepas resistentes à praga do século XIX. O projeto resulta em vinhos com boa acidez e adaptação às secas, ampliando opções de brancos com identidade regional.
Em vinhedos da região, a Forcada, variedade branca de amadurecimento lento, permite colheitas em outubro, preservando aromas e acidez sob estresse térmico. A iniciativa gerou rótulos de edição limitada e maior resistência climática.
Conclusões sobre o movimento
Em várias regiões europeias, castas resgatadas destacam-se pela resistência a altas temperaturas e seca. Pesquisadores e produtores veem nas uvas ancestrais uma resposta ao aquecimento global, mantendo variedade e qualidade dos vinhos premium.
Para especialistas do setor, o interesse do consumidor por autenticidade e histórias dos vinhos favorece esse movimento. A aposta é que castas esquecidas passem a compor o repertório de produtores que visam equilíbrio e longevidade.
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