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Astrônomos rastreiam partícula cósmica misteriosa até a galáxia Shadow Blaster

Partícula de alta energia possivelmente origina-se na galáxia Shadow Blaster, a 11 bilhões de anos-luz, após detecção de neutrino pelo IceCube com lente gravitacional

Os neutrinos são partículas difíceis de rastrear devido à sua natureza
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  • Astrônomos associam um neutrino de alta energia detectado na Terra, IC 210922A, a uma galáxia de formação estelar chamada Shadow Blaster, a 11 bilhões de anos-luz de distância.
  • Shadow Blaster fica atrás de uma lente gravitacional, o que amplia a galáxia e permite estudar regiões de formação de estrelas antes ocultas.
  • Observações com telescópios no Havaí e no Chile identificaram a galáxia JCMT0402−0424, extremamente luminosa em infravermelho, ligada à direção do neutrino.
  • Pesquisas sugerem que galáxias de formação estelar podem contribuir com até aproximadamente 20% do fundo difuso de neutrinos observado pelo IceCube, com probabilidade de coincidência estimada em cerca de 1%.
  • Cientistas esperam usar dados do ALMA e do James Webb para entender as condições que geram neutrinos nessas galáxias e ampliar a busca por associações futuras.

Uma equipe de astrônomos aponta que uma galáxia de formação estelar apelidada de Shadow Blaster pode ter sido a origem de uma partícula cósmica detectada na Terra. A hipótese vem após rastreio que indica a origem da partícula a cerca de 11 bilhões de anos-luz de distância.

O neutrino foi identificado pelo IceCube, observatório na Antártida, e o estudo sugere que ele se formou a partir de processos energéticos em uma galáxia distante. A posição do neutrino, apesar de incerta, apontou para o céu próximo à constelação Eridanus.

Após o alerta do IceCube, pesquisadores realizaram observações rápidas em diferentes comprimentos de onda na tentativa de localizar a fonte. Sem sucesso inicial, a busca foi aprofundada com telescópios na região.

Observações subsequentes com o James Clerk Maxwell e o Arranjo Submilimétrico, no Havaí, localizaram JCMT0402−0424, uma galáxia rica em formação estelar. A região abriga trilhões de vezes a luminosidade solar em infravermelho e situa-se na área associada ao neutrino.

O estudo, publicado em 17 de junho na revista Astronomia da Natureza, destaca que Shadow Blaster fica atrás de uma lente gravitacional. Esse efeito amplia a galáxia, permitindo estudar regiões de formação estelar pouco visíveis em ondas ópticas.

Segundo os pesquisadores, ambientes densos de estrelas em galáxias assim podem fornecer condições para acelerar partículas e gerar neutrinos de alta energia. A descoberta reforça a hipótese de que galáxias com formação estelar podem contribuir para o fundo difuso de neutrinos observado pelo IceCube.

Os autores estimam que esse tipo de galáxia poderia responder por até cerca de 20% do atual fundo de neutrinos. A probabilidade de coincidência acidental entre o neutrino detectado e Shadow Blaster é aproximada em 1%, segundo os especialistas.

O estudo aponta que novas observações com telescópios como ALMA e o James Webb ajudam a entender como essas galáxias formam estrelas, moldam campos magnéticos e aceleram partículas. A aproximação entre neutrinos e fontes potenciais pode ampliar o conhecimento sobre o universo jovem.

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