- Análise de DNA de neandertais tardios da Europa Ocidental aponta população saudável que se reproduzia, diferente do que apontavam dados anteriores.
- O estudo, publicado no Nature em 24 de junho, usa genomas de 27 neandertais tardios, incluindo um feminino de Bélgica com alta qualidade de sequenciamento (há 45 mil anos).
- Não há sinais generalizados de miscigenação com Homo sapiens nesses grupos, ao contrário do que ocorreu com neandertais mais antigos.
- Os dados sugerem que neandertais tardios do noroeste da Europa formavam populações bem conectadas, não pequenos grupos isolados.
- A ausência de DNA de H. sapiens nesses neandertais tardios pode refletir barreiras genéticas ou culturais que dificultavam híbridos, conforme especialistas.
O DNA de alguns dos últimos neandertais da Europa Ocidental indica que, pouco antes de seu desaparecimento, a população não era fragmentada nem com dificuldades para se perpetuar. Ao contrário, o material genético aponta um grupo saudável e com reprodução estável, sem sinais amplos de miscigenação com Homo sapiens na região.
O estudo, publicado no dia 24 no periódico Nature, também proporcionou a sequência de alta qualidade do genoma de uma mulher neandertal que viveu na Bélgica há cerca de 45 mil anos. Trata-se de apenas a quinta biblioteca genômica completa desse sexo.
A pesquisa envolveu a análise de 27 neandertais tardios, com foco em indivíduos da Bélgica e da França. Os autores sustentam que a diversidade regional da população neandertal tardia, antes associada a grupos isolados, pode ter apresentado maior conectividade do que se imaginava.
O que mudou na leitura histórica
Segundo os cientistas, as evidências não sustentam a ideia de uma população europeia neandertal isolada e condenada a extinção por completo. Em vez disso, há indícios de redes de parentesco menos estreitas e maior fluidez entre comunidades da região.
A ausência de material genético de miscigenação com humanos modernos nesses grupos recentes contrasta com dados de neandertais mais antigos, que mostravam traços de contato com Homo sapiens. Pesquisadores levantam a hipótese de incompatibilidades genéticas ou fatores culturais que teriam limitado cruzamentos.
Os autores destacam que cenários regionais não podem ser extrapolados para toda a espécie. O noroeste da Europa, por exemplo, aparenta ter apresentado populações bem conectadas e menos propensas a consanguinidade, diferentemente de casos documentados em outras áreas, como a Rússia.
A equipe também comenta que a ausência de sinais de consanguinidade severa em 27 indivíduos tardios sugere que, nesta parte da Europa, a reprodução ocorreu entre parceiros não próximos, contribuindo para a sobrevivência da população até o fim do período.
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