- A China assumiu a liderança na lista Top500, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez desde 2017, com o LineShine, equipado com chips de fabricação nacional, no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen.
- O LineShine ficou 20% mais rápido que o El Capitan, que fica no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia.
- O ranking semestral Top500 mede os supercomputadores mais potentes do mundo e acompanha avanços em cálculos científicos, previsão do tempo, IA e simulações diversas.
- O sucesso ocorre em meio à intensificação da rivalidade tecnológica entre EUA e China, com Washington impondo restrições de exportação para dificultar o acesso da China a GPUs e outras tecnologias de ponta.
- O LineShine utiliza infraestrutura full-stack criada na China, com CPUs e memória de alta largura de banda, marcando um marco na arquitetura de supercomputação do país.
O LineShine, supercomputador localizado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, na China, assumiu a primeira posição no ranking Top500, ultrapassando o El Capitan dos Estados Unidos pela primeira vez desde 2017. A máquina chinesa alcançou velocidade de computação 20% superior à do rival americano, segundo o levantamento semestral divulgado nesta semana.
O ranking Top500 mede, semestralmente, a potência de processamento de supercomputadores ao redor do mundo. O LineShine substitui o El Capitan, instalado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ficou em segundo lugar. Este é o primeiro lugar chinês desde 2017, e ocorre em um momento de crescente tensão tecnológica entre as duas maiores economias globais.
A arquitetura do LineShine se distingue por depender inteiramente de CPUs, sem GPUs dedicadas de alto desempenho, o que representa uma mudança em relação ao modelo tradicional de muitos sistemas atuais. O Centro Nacional de Supercomputação da China descreveu o equipamento como resultado de avanços para superar gargalos tecnológicos.
Segundo o Centro, o LineShine utiliza uma infraestrutura full-stack desenvolvida no país, com CPUs próprias e memória de alta largura de banda, projetada para cargas de trabalho em ciência, engenharia e IA. O equipamento já tem aplicações em modelagem climática, simulações de engenharia, descoberta de medicamentos e neurociência.
A ascensão chinesa ocorre num contexto de restrições impostas pelos Estados Unidos desde 2022 para limitar o acesso de Pequim a GPUs de última geração e a tecnologias associadas. As medidas incentivaram a China a investir em soluções domésticas para a IA e a ciência de dados.
Especialistas ressaltam que o Top500 não é uma métrica definitiva de capacidades de IA ou de inovação tecnológica, sendo voltado a cargas de trabalho científicas tradicionais. O ranking não contempla alguns sistemas de IA de grande potência, mantidos por empresas privadas ou por órgãos de defesa, por questões de confidencialidade ou estratégia econômica.
Entre as máquinas que seguem o LineShine no ranking, o El Capitan fica em segundo lugar, com outras duas supermáquinas dos Estados Unidos em bibliotecas nacionais e uma na Alemanha. Além disso, países como Itália, Suíça e Japão aparecem entre os dez primeiros.
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