- Virologista americano Chris Buck propõe transformar vacina em cerveja, afirmando que bebê-la poderia gerar anticorpos, como alternativa à injeção.
- Experimento caseiro com levedura viva geneticamente modificada mostrou indução de anticorpos em camundongos; resultados foram compartilhados no Zenodo, mas sem revisão de pares; o NCI interditou experimentos no laboratório dele, levando Buck a fundar a organização sem fins lucrativos Gusteau Research Corporation.
- Um comitê do Instituto Nacional de Saúde se opôs à publicação do estudo na plataforma de pré-publicações bioRxiv.org; Buck foi suspenso temporariamente em fevereiro, sem esclarecer motivos.
- A comunidade científica reage com ceticismo: alguns dizem que não é possível extrapolar resultados de poucos casos; outros veem potencial de usar levedura como veículo para vacinas, especialmente no formato oral.
- Buck aponta possíveis aplicações futuras para Covid, gripe H5N1 e vacinas contra o HPV, mas ressalva que a ideia está no estágio inicial e requer rigorosos testes de segurança.
O virologista americano Chris Buck, do Instituto Nacional do Câncer (NCI), tenta transformar cerveja em vacina. A proposta envolve usar levedura viva para carregar uma vacina e induzir resposta imune ao ser ingerida. Buck já produz cervejas artesanais há 30 anos e decidiu unir as duas áreas.
A ideia surgiu durante a pesquisa de uma vacina contra poliomavírus, associada a câncer e a problemas em indivíduos imunodeficientes. O NCI proibiu experimentos com cerveja no laboratório, levando Buck a fundar a Gusteau Research Corporation, organização sem fins lucrativos para conduzir testes em casa.
Desenvolvimento e primeiros resultados
Buck afirma ter testado a cerveja-vacina em casa, com participação de seu irmão e de outros familiares. Segundo ele, o composto gerou anticorpos sem efeitos colaterais e os resultados teriam sido compartilhados na plataforma Zenodo.org. Ainda não houve revisão por pares.
De acordo com a comunidade científica, o trabalho não foi publicado de forma institucional e não conta com validação externa. Um comitê do Instituto Nacional de Saúde recomendou não publicar o estudo na plataforma de pré-publicações bioRxiv.org por tratar-se de autoexperimento.
Reação da comunidade científica
Especialistas destacam cautela. Um virologista afirma que não é possível concluir segurança apenas com dois casos. Outro especialista ressalta a importância do rito tradicional de testes de vacinas para proteger a confiança pública. Os avisos indicam que mais evidências são necessárias.
Entre defensores da ideia, há reconhecimento de que imunizantes orais já existem e que a levedura poderia servir como veículo para diferentes proteínas. Um pesquisador acrescenta que, se provada, a abordagem pode abrir caminhos para novas plataformas de vacinação.
Potenciais aplicações futuras
Buck aponta que, com ajustes, a levedura poderia viabilizar vacinas contra Covid, gripe H5N1 e HPV, além de explorar aplicações em outros vírus. O pesquisador sustenta que a prova de conceito indica possibilidade de desenvolvimento de aplicações mais amplas. A agenda prevê próximos passos de validação e experimentação adicionais.
Entre na conversa da comunidade