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Queda de mortes por meningite desacelera, ameaçando meta da OMS

Meningite: queda de óbitos em 2023 é insuficiente para a meta da OMS de redução de setenta por cento até 2030, com desigualdades na vacinação global

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  • Em 2023, a meningite causou 259 mil mortes no mundo, mantendo atraso para atingir a meta da OMS de reduzir óbitos em setenta por cento até 2030.
  • Estudo com dados do Global Burden of Disease analisou dezoito patógenos e mostrou que, embora haja queda, o ritmo não é suficiente para cumprir as metas globais.
  • Crianças com menos de cinco anos foram as mais impactadas, representando mais de um terço das mortes e registrando cerca de 86,6 mil óbitos.
  • No Brasil, o calendário do SUS inclui vacinas contra pneumococo, meningococo e Haemophilus, mas a cobertura permanece aquém da meta em vários casos; em 2025, a vacina contra o meningococo alcançou 90,7% do público-alvo.
  • A ampliação da imunização segue como principal estratégia de controle, mas existem agentes sem vacinas disponíveis e riscos associados ao uso indiscriminado de antibióticos.

O número de mortes por meningite no mundo caiu em 2023, mas o ritmo é inferior ao previsto pela OMS para 2030. Um estudo publicado na Lancet Neurology aponta 259 mil óbitos no ano, entre 17 patógenos. A queda, porém, não é suficiente para atingir a meta de redução de 70% em relação a 2015.

A análise é baseada em dados do Global Burden of Disease Study (GBD) e é a mais abrangente já feita sobre meningite. Mesmo com ganhos na vacinação, a desaceleração indica que a doença permanece um desafio significativo para a saúde global.

Mais de 2,5 milhões de casos foram registrados em 2023, com maior gravidade entre crianças com menos de 5 anos. Esse grupo respondeu por mais de um terço das mortes, totalizando 86,6 mil óbitos. A vacinação precocemente atua como principal ferramenta de combate.

Situação global e fatores de risco

A pesquisa destaca que a proteção vacinal reduziu a mortalidade, mas desigualdades persistem. A cobertura é menor em regiões de baixa renda, onde o acesso a serviços de saúde e a campanhas de imunização é limitado. Sorotipos não cobertos pelos atuais imunizantes também dificultam o avanço.

Entre os fatores de risco, o estudo indica baixo peso ao nascer, prematuridade e poluição do ar domiciliar. Condições socioeconômicas influenciam a incidência e a mortalidade, ampliando a necessidade de estratégias de saúde pública mais eficientes.

Países e estratégias de imunização

A vacinação é o principal instrumento de controle da meningite bacteriana, mas a cobertura varia entre países. Na África Subsaariana persiste histórico de adesão mais baixa, o que alimenta o histórico de meningite na região.

No Brasil, o SUS oferece vacinas contra pneumococo, meningococo e Haemophilus. Embora a proteção exista, a adesão ainda fica aquém da meta em várias faixas etárias. Em 2025, a cobertura da vacina contra meningococo atingiu 90,7% do público-alvo, abaixo do objetivo de 95%.

No dia 3 de junho, o Ministério da Saúde divulgou o início da versão Pneumo 20 no SUS, com proteção para 20 sorotipos da Streptococcus pneumoniae. Grupos prioritários incluem crianças até 5 anos, povos indígenas acima dessa idade sem vacinação, idosos institucionalizados e pacientes com condições clínicas específicas.

Amparo clínico e orientações

Mesmo com imunização, existem agentes sem vacina disponível, como o Streptococcus do grupo B, que afeta especialmente gestantes e bebês. A detecção precoce e o tratamento adequado são cruciais para reduzir a mortalidade.

O uso de antibióticos deve seguir orientação médica, pois o uso indiscriminado favorece resistência e piora o manejo da doença. Em caso de sinais de meningite, a busca por atendimento médico é essencial para avaliação e encaminhamento.

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