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Célula sintética criada que se alimenta, cresce e se reproduz

Universidade de Minnesota revela células sintéticas que se alimentam, crescem e se reproduzem, abrindo caminho para funções além das células naturais

SpudCell é uma célula sintética montada inteiramente a partir de componentes químicos não vivos
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  • Cientistas da Universidade de Minnesota anunciaram a criação de uma célula sintética chamada SpudCell, capaz de se alimentar, crescer, se reproduzir e competir por alimento.
  • A célula é montada a partir de componentes químicos não vivos, e o grupo pretende desenvolver a pesquisa por meio de uma organização sem fins lucrativos chamada Biotic, com investimento estimado em centenas de milhões de dólares na próxima década.
  • O processo envolve manipular a membrana para que bolhas capturem proteínas, levando à curvatura e à divisão celular; o esforço levou cerca de um ano de experimentos até funcionar.
  • Pesquisadores veem potencial para revelar o conjunto mínimo de genes necessários para a vida e, no futuro, permitir funções não atingidas por células naturais, como produção de novas moléculas ou captura de dióxido de carbono.
  • Entre as limitações atuais, a SpudCell não produz ribossomos e depende de uma dieta de laboratório, estando ainda em fases iniciais de estudo e avaliação para publicação científica.

Cientistas da Universidade de Minnesota anunciaram a criação de uma célula sintética capaz de se alimentar, crescer, reproduzir e competir entre si. O anúncio ocorreu nesta quarta-feira, nos Estados Unidos, com a equipe coordenada pela bióloga Kate Adamala. Eles batizaram a célula de SpudCell.

A pesquisa mostra que a SpudCell é montada a partir de componentes químicos não vivos, sem usar células naturais. Segundo Adamala, a vida não é binária, o que a levou a não classificar a célula como viva. O estudo também envolve a colaboração de pesquisadores de Stanford, como Drew Endy, que participa como coautor.

A equipe construiu a célula a partir de uma sopa de moléculas, incluindo genes emprestados de vírus e de Escherichia coli. Em seguida, formaram membranas que se organizam espontaneamente em bolhas, capazes de englobar proteínas e moléculas da sopa para sustentar reações químicas básicas.

Os pesquisadores alimentaram as SpudCells com pequenas moléculas via canais de membrana e, em algumas horas, as células cresceram o suficiente para se dividir. Em uma etapa, uma proteína especial induziu a curvatura da membrana para a divisão, gerando novas células.

Durante testes, células mutantes criadas pela equipe mostraram maior competição pelo alimento, superando as originais em número. A comparação sugere que diferentes versões podem evoluir rapidamente quando expostas a recursos limitados.

Sobre a SpudCell

Apesar dos avanços, a SpudCell ainda enfrenta limitações, como a ausência de ribossomos, que geram proteínas, e a capacidade de sobreviver apenas por algumas gerações com dieta controlada de laboratório. Os criadores planejam ampliar experimentos com centenas de pesquisadores e recursos de centenas de milhões de dólares na próxima década.

A iniciativa não busca patente, mas sim criar uma comunidade científica sem fins lucrativos para desenvolver a tecnologia. O objetivo é entender melhor o que é necessário para formas mínimas de vida e explorar aplicações potenciais, como produção de proteínas não alcançáveis por células naturais ou captura de CO2.

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