- Em 2025, o meningococo B foi responsável por 55% dos casos de doença meningocócica identificados no Brasil, chegando a 73% entre bebês com menos de um ano.
- A SBP divulgou nota técnica atualizando dados e destacando a vacina meningocócica B recombinante (4CMenB) para lactentes, alternativa ainda não incorporada pelo SUS.
- A doença meningocócica pode ser fatal; até 20% dos sobreviventes podem ter sequelas permanentes, como surdez ou déficits neurológicos.
- Historicamente dominante, o sorogrupo C hoje não é o principal perfil; o B passou a representar a maior parte dos casos no país, reforçando a necessidade de revisão de estratégias de prevenção.
- A 4CMenB já tem eficácia comprovada em outros países, com redução significativa de casos entre crianças vacinadas; no Brasil, está aprovada para bebês a partir de dois meses e disponível na rede privada.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma nota técnica que atualiza o cenário da doença meningocócica no Brasil. O documento, elaborado pelo Departamento Científico de Infectologia, reúne evidências sobre a vacina meningocócica B recombinante (4CMenB) em lactentes e destaca a mudança no perfil da doença no país. Pela primeira vez em décadas, o meningococo B é o principal sorogrupo identificado.
Segundo a SBP, em 2025 o meningococo B esteve presente em 55% dos casos de meningococcemia com sorogrupo identificado no Brasil. Entre bebês com menos de um ano, esse percentual chegou a 73% dos casos registrados, evidenciando maior vulnerabilidade nessa faixa etária. A doença pode se apresentar como meningite ou meningococcemia, com risco elevado de choque e falência de múltiplos órgãos se não for tratada rapidamente.
A nota técnica ressalta que a vacina 4CMenB já foi avaliada para incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para lactentes, mas a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) manteve parecer desfavorável. A atualização também descreve que a vacinação costuma reduzir significativamente casos em países onde foi adotada, embora o Brasil ainda não a inclua no calendário público para bebês.
Especialista defende revisão de estratégias de vacinação no SUS
A pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn aponta que a divulgação da nota técnica permite ampliar o conhecimento sobre a doença e reavaliar estratégias de prevenção com base na epidemiologia atual. Segundo ela, mesmo com diagnóstico e tratamento adequados, a meningococcemia pode levar à morte em até 20% dos casos, e sequelas permanentes podem surgir em cerca de 20% dos sobreviventes.
Historicamente, o sorogrupo C foi responsável pela maior parte dos casos no Brasil, o que motivou a incorporação da vacina meningocócica C ao PNI em 2010. A vacina meningocócica ACWY passou a ser ofertada para grupos específicos, mas a meningocócica B não integra o calendário público de lactentes.
A especialista ressalta que a circulação de sorogrupos muda com o tempo, exigindo monitoramento constante e atualização de estratégias de prevenção. Ela reforça que o Brasil registrou mudança significativa na dominância do meningococo B, o que reforça a necessidade de decisões embasadas em evidências.
Dados internacionais comprovam eficácia da vacina 4CMenB
A nota técnica reúne evidências internacionais que apontam redução de casos entre crianças vacinadas onde a 4CMenB já foi adotada. De acordo com o documento, mais de oito em cada 10 casos de meningococo B podem ser prevenidos em populações adequadamente vacinadas.
A vacina 4CMenB está aprovada no Brasil para uso em bebês a partir de dois meses de idade e hoje é oferecida pela rede privada. A SBP enfatiza que a finalidade da nota é disseminar conhecimentos baseados em evidências para subsidiar políticas públicas de prevenção.
A SBP destaca a importância de acompanhar dados epidemiológicos e evidências científicas para orientar decisões de saúde pública no Brasil, especialmente diante da mudança na circulação dos sorogrupos do meningococo.
Entre na conversa da comunidade