- Mulher de 56 anos sofreu intoxicação rara por cobalto após complicações em prótese total de quadril, com sintomas que incluíram formigamento, dificuldades de marcha e alterações na tireoide.
- Quadro evoluiu rapidamente ao longo de cerca de oito semanas, com perda de memória recente, irritabilidade e palpitações; a paciente também apresentou alterações neurológicas e cardíacas.
- Investigação mostrou que o revestimento cerâmico da prótese anterior foi substituído por uma cabeça de liga de cobalto e cromo, e resíduos de cerâmica aceleraram o desgaste, liberando partículas metálicas para o sangue.
- Em segunda cirurgia de revisão, médicos removeram a peça metálica, trocaram para um componente cerâmico e iniciaram tratamento de quelação para eliminar metais pesados; os níveis de cobalto no sangue estavam 592 ng/mL e de cromo, 62,4 ng/mL.
- A recuperação foi lenta e parcial: a paciente voltou a caminhar com menos dificuldades e reduziu a dose de tireoide, mas alguns sintomas neurológicos persistiram; o caso ressalta cuidados em cirurgias de revisão e uso de ligas de cobalto-cromo.
Uma mulher de 56 anos desenvolveu intoxicação por cobalto associada a uma prótese de quadril. O caso, descrito por médicos em um artigo publicado no New England Journal of Medicine, chamou atenção pela rápida evolução dos sintomas. A paciente apresentou alterações neurológicas, cardíacas e da tireoide.
Durante oito semanas, formigamento nos pés e progression para as pernas e mãos foram os primeiros sinais. Ao buscar atendimento, a mulher já tinha dificuldades para caminhar, com quedas frequentes e necessidade de apoio nas paredes.
Ao longo da investigação clínica, surgiu a hipótese de causas comuns como deficiências vitamínicas ou inflamações. A história revelou que a prótese foi instalada há cerca de 20 anos após um acidente, com desgaste acelerado após um deslocamento ocorrido no ano anterior à internação.
Histórico da prótese e origem do problema
O relatório cirúrgico anterior indicou que o revestimento cerâmico original foi substituído por uma composição metálica de cobalto e cromo. Micropartículas cerâmicas remanescentes atuaram como abrasivo, acelerando o desgaste da peça metálica e liberando cobalto para tecidos e, posteriormente, para a corrente sanguínea.
Confirmação diagnóstica e níveis de metais
Antes da internação, o sangue apresentou cobalto de 592 ng/mL (normal <10 ng/mL) e cromo de 62,4 ng/mL (normal <0,2 ng/mL). A intoxicação também coincidiu com alterações da tireoide e elevação da hemoglobina, indicando mecanismo de estimulação da produção de células vermelhas.
Segunda cirurgia e tratamento
Durante nova cirurgia de revisão, pacientes foram removidos tecidos necrosados, a cabeça da articulação metálica foi trocada por uma peça de cerâmica e o revestimento foi atualizado. Iniciou-se terapia de quelação para eliminação de metais pesados.
Desfecho e evolução
A recuperação foi gradual e parcial. A paciente voltou a caminhar com menos dificuldade e reduziu a dose do medicamento para tireoide. Parte dos sintomas neurológicos permaneceu, e houve zumbido auditivo persistente.
Considerações finais dos médicos
O estudo destaca redução do uso de ligas de cobalto-cromo em próteses de quadril nos últimos 15 anos, embora ainda haja aplicação em revisões. Casos de intoxicação costumam ocorrer por desgaste prolongado, com o cobalto como principal agente, acelerado por resíduos cerâmicos que aumentam o atrito.
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