- Cerca de 17 milhões de brasileiras estão no climatério, período de transição entre fase reprodutiva e não reprodutiva, com sintomas como ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor e ressecamento vaginal.
- A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz quando indicada, com aumento do risco de câncer de mama considerado muito baixo, cerca de 0,08%.
- O diagnóstico é clínico; exames hormonais têm utilidade limitada, pois os níveis variam muito nessa fase.
- A reposição hormonal deve ser iniciada na janela de oportunidade e pode ser mantida por tempo indeterminado conforme benefícios superiores aos riscos, com ajustes de dose.
- Novidades incluem o medicamento não hormonal feito para fogachos, Veoza (faz parte da Astella), com redução de cerca de 60% dos sintomas; no SUS, o estriol está disponível apenas como creme vaginal; fitoterápicos têm evidência limitada.
Cerca de 17 milhões de brasileiras passam pelo climatério, fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, com queda de estrogênio e progesterona. Sintomas como ondas de calor, sono e humor afetam a qualidade de vida.
A terapia hormonal é apontada como o tratamento mais eficaz para aliviar esses sinais quando indicada corretamente. O risco de câncer de mama associado é baixo, estimado em cerca de 0,08%, avaliado dentro do quadro clínico de cada paciente.
Climatério e menopausa não são a mesma coisa
A menopausa marca a última menstruação. O climatério é a transição que inclui anos antes e depois desse momento. A redução hormonal gradual explica parte das mudanças observadas na vida da mulher.
Os sintomas costumam surgir até mesmo anos antes da última menstruação. Entre eles estão alterações do ciclo, ondas de calor, suor noturno, insônia, irritabilidade, ansiedade, mudanças de humor e ressecamento vaginal.
Diagnóstico e importância da avaliação clínica
O diagnóstico é principalmente clínico, com base na história da paciente e nos sintomas. Exames hormonais possuem utilidade limitada, pois os níveis variam bastante na fase de transição.
Assim, o relato da paciente e a avaliação médica são mais determinantes do que a dosagem hormonal isolada.
Eficácia da reposição hormonal e janela de oportunidade
A reposição hormonal alivia sintomas que prejudicam a qualidade de vida. Segundo a especialista, os melhores resultados ocorrem na chamada janela de oportunidade: durante a transição, até dez anos após a menopausa ou antes dos 60 anos.
Essa estratégia busca maximizar benefícios e reduzir riscos, ajustando a dose e o tipo de hormônio conforme o perfil individual.
Risco de câncer de mama e comparação de impactos
O risco de câncer de mama relacionado ao uso prolongado de terapia hormonal é muito baixo. Em mil mulheres que utilizam hormônios por cinco anos, estima-se 0,8 caso adicional, frente a quem não utiliza.
Fatores como idade, intensidade dos sintomas, tempo desde a menopausa e risco cardiovascular influenciam a indicação do tratamento.
Formas de reposição hormonal e considerações
A reposição pode ser via comprimidos, adesivos, gel ou spray transdérmico. Mulheres com fatores de risco cardiovascular costumam se beneficiar de vias não orais, que evitam a primeira passagem pelo fígado.
O estrogênio é o principal hormônio utilizado; quem ainda tem útero precisa associar progesterona para proteger o endométrio. Cuidado com géis manipulados de progesterona na pele, pois podem não oferecer proteção adequada.
SUS e opções de tratamento
No SUS, o estriol está disponível apenas como creme vaginal, indicado para a síndrome geniturinária da menopausa (ressecamento, dor na relação, sintomas urinários). O tratamento atua localmente e não resolve fogachos ou insônia.
Há carência de hormônios sistêmicos disponíveis no SUS para tratar os demais sintomas do climatério.
Novo medicamento não hormonal para fogachos
A Anvisa aprovou o primeiro medicamento não hormonal para fogachos da menopausa, o feito cenal não hormonal Veoza, em comprimido diário. Ele age sobre mecanismos cerebrais, sem hormônios.
A expectativa é beneficiar mulheres que não podem fazer terapia hormonal, como pacientes tratadas por câncer de mama. Estudos indicam redução de cerca de 60% dos fogachos.
Seguimento, duração e fitoterápicos
Não existe prazo máximo obrigatório para interromper a reposição hormonal; a continuidade é definida individualmente, considerando benefícios, efeitos adversos e avaliação conjunta médico-paciente.
Alguns hormônios podem ser mantidos em valores menores com o tempo. Em relação aos fitoterápicos, há pouca evidência de benefício robusto, segundo sociedades médicas brasileiras e norte-americanas.
Qualidade de vida durante o climatério
A menopausa é uma etapa natural, mas sintomas relevantes podem exigir tratamento. A reposição hormonal pode ser parte desse cuidado, sem excluir a prática de atividade física, alimentação equilibrada, saúde mental e relações sociais como fatores-chave da qualidade de vida.
Entre na conversa da comunidade