- Palmyra Atoll abriga uma relação vital entre a árvore nativa Pisonia grandis e fungos ectomicroorizais do gênero Tomentella, presente em 100% das árvores estudadas.
- Esses fungos capturam nitrogênio e fósforo do guano de aves, nutrientes que, de outra forma, poderiam se perder no oceano, sustentando a sobrevivência das árvores.
- A abundância de Tomentella cai muito a mais de 250 metros de distância de uma árvore de Pisonia, o que pode comprometer a regeneração natural após a remoção de palmeiras-coco invasoras.
- Cientistas sugerem a possível necessidade de inoculação de solos com fungos para aumentar o sucesso da restauração das florestas nativas, especialmente em áreas distantes de bosques de Pisonia.
- A pesquisa também aponta que Palmyra abriga fungos raros (potencialmente novos) e que caranguejos terrestres, chamados de engenheiros de ecossistema, aumentam a riqueza fúngica ao revirar o solo.
O Atol Palmyra, no Pacífico Norte, é um dos sistemas insulares mais remotos do mundo. Uma árvore nativa de mata atlântica aquí desempenha serviço ecológico ao fornecer abrigo para milhares de aves marinhas. O guano alimenta os recifes de coral ao redor. Um estudo recente mostra que todo esse ciclo depende de fungos micorrízicos invisíveis.
A pesquisa mapeou a diversidade fúngica no atolo. Descobriu que a árvore nativa Pisonia grandis depende de um gênero específico de fungos, o *Tomentella*, em todas as árvores analisadas. Esses fungos capturam nitrogênio e fósforo do guano que, de outra forma, escoariam para o oceano.
Os autores explicam que muitas fungos ectomicorrízicos não se dão bem em solos com alto teor de nutrientes. Já o *Tomentella* parece adaptado aos elevados níveis de fósforo criados pelo guano das aves. A parceria arborícola é, assim, antiga e estável entre fungos, árvores e grandes colônias de aves.
Implicações para a restauração da floresta
A descoberta tem peso para o plano de remover 1,5 milhão de palmeiras-marinhacas invasoras para recuperar a floresta nativa. O estudo aponta que a abundância de *Tomentella* cai quando a distância de uma Pisonia superou 250 metros. Sem fungos, a regeneração natural pode falhar em áreas amplas.
Segundo os autores, pode ser necessário inocular o solo com fungos para aumentar as chances de sucesso na restauração. A ideia funciona principalmente em áreas distantes de florestas de Pisonia ou em sistemas onde a espécie está ausente há longos períodos por impactos humanos.
Os pesquisadores ressaltam que Palmyra abriga fungos raros, possivelmente novos, ainda não registrados em bases globais. Também foram encontrados fungos em raízes aéreas de até 1,5 metros de altura, sugerindo dispersão por vento ou aves.
Crabs do atol, em especial várias centenas de milhares de caranguejos terrestres, também aparecem como “engenheiros de ecossistema”. Eles revolvem o solo e aumentam a riqueza fúngica nos seus covis, contribuindo para a diversidade microbiana.
Os especialistas destacam que as florestas do atol podem abrigar comunidades microbianas únicas. Proteger essa biodiversidade é vital, pois esses micróbios podem desempenhar papéis críticos na saúde do ecossistema, na resiliência e na regeneração das florestas.
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