- A startup brasileira AI Pathology, de Limeira, utiliza IA para identificar lesões de pele a partir de fotos e ingressou no programa Inception, da Nvidia, para ampliar infraestrutura e mentoria.
- A meta é criar o maior banco de imagens de lesões de pele, buscando 4 milhões de imagens para treinar a IA, que já tem 93% de acurácia e funciona em qualquer celular.
- O aplicativo Nevo classifica o risco de uma pintas em segundos e já foi testado com 2.058 trabalhadores rurais, identificando 75 casos de câncer de pele em estágio inicial.
- A empresa recebeu cerca de 4 milhões de reais do family office Enseada e aguarda aprovação da Anvisa para seguir com uma rodada de investimentos Série A de aproximadamente 8 milhões de dólares, visando expansão internacional.
- Nos Estados Unidos, a Pathology planeja estudos clínicos e submissão à FDA, buscando permitir uso da tecnologia por operadoras de saúde; no Brasil, clientes incluem Natura e laboratório Sabin.
A startup brasileira AI Pathology busca liderar a luta contra o câncer de pele usando inteligência artificial. Fundada em Limeira, interior de São Paulo, a empresa desenvolve diagnósticos a partir de fotos tiradas pelo celular para identificar lesões suspeitas.
Willian Boelcke, que deixou a odontologia para trás após perder o pai para a doença, criou a empresa com o dentista Lucas Souza em 2024. A proposta é transformar a diversidade de tons de pele do Brasil em vantagem competitiva no treinamento de modelos de IA.
A startup já acumula cerca de 90 mil imagens de lesões em parceria com instituições de todos os estados. A meta é chegar a 4 milhões de imagens para alimentar um dos maiores datasets globais de dermatologia por IA.
O aplicativo Nevo permite que qualquer usuário fotografe uma lesão e obtenha, em segundos, uma classificação de risco. O sistema funciona em smartphones simples, sem depender de hardware específico.
Em Goiás, o projeto com o Senar avaliou 2.058 pintas de trabalhadores rurais, priorizando cerca de 10% e identificando 75 casos de câncer em estágio inicial para encaminhamento médico.
Parcerias e expansão
A Pathology ingressou no programa Inception, da Nvidia, que oferece infraestrutura, treinamento e mentoria para startups de IA. Márcio Aguiar, da Nvidia, afirma que IA na medicina deve apoiar, não substituir, o médico.
A empresa já recebeu cerca de R$ 4 milhões do family office Enseada, ligado aos fundadores da SulAmérica. Os recursos ajudam a avançar na fase regulatória brasileira.
A Pathology aguarda aprovação da Anvisa para uso de softwares de IA em saúde. A expectativa é de obter o aval nas próximas semanas, abrindo caminho para uma rodada Série A de ~US$ 8 milhões para expansão internacional.
Nos Estados Unidos, a meta é conquistar aprovação regulatória da FDA, exigida para ferramentas de IA em saúde a demonstrar representatividade demográfica no treinamento. A empresa aposta na variabilidade de seu banco de dados.
No Brasil, o modelo de negócios é B2B, com contratos já firmados com a Natura, que utiliza a tecnologia para cerca de 8 mil funcionários, e com o laboratório Sabin, que integrará a ferramenta ao diagnóstico dermatológico de sua rede.
A Pathology nasceu da experiência pessoal de Boelcke e busca evitar que casos perdidos se repitam, ampliando o acesso a diagnósticos rápidos e precisos.
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