- Astrônomos identificaram o vento que emana do buraco negro Sagitário A* no centro da Via Láctea, após cinco décadas de buscas.
- A descoberta mostra uma cavidade cônica de gás quente ao lado de Sagitário A*, esculpida pelo vento que expeliu parte do material para fora.
- Dados do ALMA, no Chile, e do Observatório de Raios X Chandra, da Nasa, sustentam a existência dessa cavidade e o papel do vento do buraco negro.
- Sagitário A* tem cerca de 4 milhões de massas solares e fica a 26 mil anos-luz da Terra; a cavidade pode chegar a 6,5 anos-luz de comprimento.
- Os pesquisadores destacam que o vento atual é suave comparado a ventos ou jatos vistos em outros buracos negros, mas mesmo ventos fracos podem influenciar regiões galácticas ao redor.
Após cinco décadas de tentativas, astrônomos identificaram o vento que emana do buraco negro Sagitário A*, no centro da Via Láctea. O achado foi descrito em um artigo publicado recentemente na Astrophysical Journal Letters. A descoberta aponta a formação de uma cavidade cônica preenchida por gás quente e carregado eletricamente ao redor do buraco negro.
Os pesquisadores afirmam que a cavidade foi esculpida pelo vento que sai de Sagitário A*, aquecendo ou varrendo o gás frio que ocupava a região. A energia necessária para criar esse formato só poderia ser gerada por um buraco negro supermassivo ativo. O estudo utiliza dados de dois observatórios: Alma, no Chile, e o Chandra, da Nasa.
A cavidade se estende a partir do entorno de Sagitário A* para fora, com a ponta de formato cone apontando para o espaço. Os cientistas citam uma estimativa de até 6,5 anos-luz de comprimento para a estrutura, embora a escala completa ainda não esteja totalmente definida pelos dados disponíveis.
Sagitário A* tem aproximadamente 4 milhões de massas solares e situa-se a cerca de 26 mil anos-luz da Terra. O vento observado hoje não é tão intenso quanto o visto em outros buracos negros supermassivos, mas representa evidência direta da expulsão de material pela atividade central da Via Láctea.
Segundo os autores, parte do gás que se aproxima do buraco negro cai, enquanto outra parte é ejetada como vento. Em galáxias distantes, fenômenos similares costumam ser mais visíveis, mas a equipe afirma que a nova evidência confirma esse comportamento no nosso próprio centro galáctico.
Entre as interpretações, os pesquisadores destacam a diferença entre jatos e ventos: jatos formam feixes estreitos, enquanto ventos são mais amplos e se expandem ao deixar a fonte. A comparação entre as estruturas ajuda a entender o impacto desses ventos na vizinhança do Sagitário A*.
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