- Estudo da Unicamp, a pedido da Folha, encontrou tirzepatida nas canetas paraguaias Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, com identidade molecular compatível ao Mounjaro; Gluconex apresentou concentração cerca de sessenta por cento maior que a do Mounjaro, e as demais até vinte por cento.
- As análises não avaliaram impurezas, eficácia ou segurança; também não houve detecção de semaglutida.
- Todas as canetas paraguaias têm registro na Dinavisa, autoridade sanitária do Paraguai, mas não na Anvisa, o que as torna proibidas no Brasil.
- A Folha comprou os produtos pelas redes sociais para envio ao laboratório, com preços variados; houve comparação com Mounjaro e Ozempic, ambos com receita médica para fornecimento.
- A Anvisa afirma que análises laboratoriais independentes não substituem avaliação regulatória completa, que envolve cinco eixos de qualidade, segurança, eficácia, equivalência terapêutica e conformidade; há riscos de falsos positivos/negativos e de uso sem registro.
A análise encomendada pela Folha revelou que canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai contêm tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Os medicamentos avaliados foram Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, provenientes de laboratórios paraguaios. A amostra não continha semaglutida.
O estudo, feito pela Unicamp, verificou presença, concentração e identidade molecular do ativo. Não foram avaliadas purificação, qualidade, eficácia ou segurança. As análises não detectaram mistura com outros ativos, como a semaglutida.
Foram adquiridas quatro ampolas de Lipoless, TG, Tirzedral e Tirzec, e uma de Gluconex, a partir de redes sociais. Os preços variaram entre R$ 850 e R$ 1.295, em comparação ao Mounjaro e Ozempic em pontos de venda legais.
A equipe utilizou HPLC-DAD, LC-HRMS e dicroísmo circular para confirmar a presença e a estrutura do ativo. A convergência entre os métodos indicou identidade com a tirzepatida, apesar de Gluconex apresentar concentração 60% maior que o esperado.
A Anvisa ressaltou que as análises laboratoriais não substituem a avaliação completa de qualidade, segurança e eficácia. A agência aponta riscos de impurezas, contaminação e inconsistências não detectadas em testes isolados.
A Lilly informou que o desenvolvimento clínico da tirzepatida teve início em 2016, destacando eficácia em diabetes tipo 2, obesidade com comorbidades e apneia do sono. A empresa não comenta produtos sem registro sanitário no Brasil.
Alerta dos especialistas
Endocrinologistas citam risco de dosagem incorreta, variação de pureza e problemas de armazenamento, que podem levar a efeitos adversos. Advogados destacam vulnerabilidade legal para consumidores.
O Paraguai emite registro sanitário próprio (Dinavisa), mas esse registro não é reconhecido pela Anvisa. A avaliação brasileira requer registro na Anvisa, além de dados sobre qualidade, segurança, eficácia e conformidade regulatória, para venda regular no Brasil.
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