- São Francisco mostra uma virada: software passou a depender de supervisão de máquinas de IA, com terminais rodando código e agentes em vez de apenas mensagens.
- Cursor, criado pela Anysphere, teve receita de US$ 100 milhões em janeiro de 2025 para US$ 4 bilhões em junho de 2026, chegando a US$ 60 bilhões na venda para SpaceX em junho de 2026; a plataforma atende mais de 1 milhão de clientes pagantes.
- Ferramentas de programação com IA registraram US$ 12,8 bilhões de receita em 2026, mais que o dobro de 2024; mais da metade do código no GitHub é gerado ou assistido por IA, e cerca de 90% dos desenvolvedores usam ao menos uma ferramenta de IA.
- Model Context Protocol (MCP), criado pela Anthropic, conectou modelos a ferramentas de forma padronizada; a adoção subiu rapidamente, com dezenas de milhares de servidores MCP e a doação do protocolo à Linux Foundation em dezembro de 2025.
- O papel humano está sendo redesenhado: designers e gerentes atuam como arquitetos de sistemas, com produção orientada a código e prototipagem direta; no Brasil, OLX e Nubank já exploram IA para prototipagem e design, sinalizando disseminação futura.
Nas mesas de São Francisco, terminais recebem tarefas de IA que escrevem código e rodam testes sozinhos. A cena ilustra uma virada: produzir software passa a exigir supervisão humana sobre máquinas.
A cidade, no coração do Vale do Silício, concentra aceleradoras, fundos de venture capital e startups que atraem talentos. O ambiente de trabalho flexível já era comum antes da pandemia, com escritórios substituídos por espaços diversos.
A revolução na prática
Chamadas de terminais com Cursor, Antigravity e Claude Code aparecem com frequência em cafeterias da Bay Area. Essas ferramentas representam a nova era de IA agentes que vão além de conversas, executando tarefas automaticamente após aprovação humana.
Os dados do mercado confirmam a mudança. Cursor, criado pela startup Anysphere em 2022, passou de receita anual de US$ 100 milhões em 2025 para cerca de US$ 4 bilhões em 2026, segundo relatos do setor. A partir de junho de 2026, a SpaceX anunciou a compra da empresa por US$ 60 bilhões.
Como funciona o ecossistema de IA
A motivação vem de ferramentas de programação baseadas em IA. Em 2026, a receita dessas ferramentas atingiu US$ 12,8 bilhões, mais que o dobro de 2024. Mais de metade do código já é gerado ou assistido por IA, e cerca de 90% dos desenvolvedores utilizam pelo menos uma ferramenta.
O que sustenta a conectividade é o Model Context Protocol MCP, protocolo aberto pela Anthropic em 2024, descrito como o USB-C da IA. O MCP facilita a ligação entre modelos e ferramentas sem conectores específicos, acelerando integrações.
Transformação no fluxo de trabalho
A infraestrutura de IA já altera a forma de trabalhar no desenvolvimento de software. O Antigravity, lançado pelo Google com o Gemini 3, introduz uma tela de gerente para coordenar múltiplos agentes em paralelismo assíncrono. O design vira código, e o papel do designer passa a atuar próximo do produto final.
Ferramentas de design passaram a gerar código a partir de telas, dissolvendo o barreira entre design e desenvolvimento. Interfaces criadas por agentes como Claude Design e Stitch já produzem componentes clicáveis, reduzindo o handoff entre equipes.
Cenário no Brasil e perspectivas
No Brasil, OLX reduziu em até 85% o tempo para gerar código a partir de telas do Figma. O Nubank desenvolveu seu design system integrando IA e prototipagem. Antigravity chegou ao país junto com o lançamento global, e equipes locais já convivem com Cursor e Claude Code.
A tendência, segundo especialistas, indica que o uso de IA para escrever código tende a se ampliar, ainda que a supervisão humana permaneça essencial. O que hoje é cenário de São Francisco pode se ampliar para outras cidades em ritmo similar.
O jornalista viajou a convite do Figma.
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