- Escavações no oásis de Dakhla, no deserto ocidental, revelam uma cidade residencial bizantina do século IV, com basílica, torres de vigia e ruas que formam praças.
- Em Marina el‑Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria, foram encontradas 18 tumbas — onze escavadas na rocha e sete na superfície — elevando o total de sepulturas do local para 48.
- Entre os achados estão moedas de bronze com retratos de imperadores bizantinos, moedas de ouro de Constâncio II, óstracos com inscrições e um sarcófago de granito de 2,5 metros.
- Também foram encontradas estruturas fortificadas, casas com salões e telhados abobadados, além de fornos de pão, cozinhas e ferramentas de moagem de pedra.
- As descobertas são apresentadas como parte dos esforços do governo para impulsionar o turismo, uma atividade vital para a economia do Egito, que depende das antiguidades para atrair visitantes.
A cidade residencial bizantina encontrada no deserto ocidental do Egito foi anunciada neste sábado (4). Os achados abrangem dois sítios: o Oásis de Dakhla e Marina el-Alamein, próximo a Alexandria, e integram uma série de descobertas que pode impulsionar o turismo no país. As escavações visam mapear a vida urbana do século IV.
O Egito ressalta que os vestígios ajudam a entender a vida cotidiana, o desenvolvimento urbano e atividades econômicas da época, quando o território fazia parte do Império Bizantino. A investigação envolve equipes vinculadas ao Ministério do Turismo e Antiguidades.
Descoberta em Dakhla
Os trabalhos no Oásis de Dakhla revelaram vias norte-sul e praças abertas, com possível funcionamento de áreas públicas na era bizantina. No ponto mais alto, surgiu uma basílica do meio do século IV, com torres de vigia preservadas.
Entre as estruturas, há uma área fortificada com muralhas grossas e casas com salões de recepção e telhados abobadados. A casa de Tisous, diácono, é apontada como residência que possivelmente funcionou como igreja doméstica.
Foram encontrados fornos de pão, cozinhas e ferramentas de moagem. Monedas de bronze com retratos de imperadores bizantinos, inscrições em latim e símbolos cristãos foram identificadas, junto a moedas de ouro do reinado de Constâncio II (337-361).
O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Hisham el-Leithy, destacou que os achados trazem detalhes da vida urbana e econômica da região no século IV. Cerca de 200 fragmentos de cerâmica com inscrições comerciais também foram encontrados.
Marina el-Alamein
Em Marina el-Alamein, foram identificadas 18 tumbas antigas, somando-se às 30 já conhecidas, totalizando 48 sepulturas no sítio. Destas, 11 túmulos ficaram dentro da rocha e sete ficaram na superfície, com uso de calcário.
A equipe local encontrou vasos cerâmicos, ânforas, lâmpadas e altares. Um sarcófago de granito de 2,5 metros foi localizado, com restos mortais ainda sob estudo. Um sarcófago de granito com restos mortais também foi encontrado.
Entre os achados, chamou atenção uma esfinge de gesso e quatro moedas de ouro dispostas na boca de alguns corpos, prática antiga associada a crenças funerárias. A líder da missão, Eman Abdel-Khaliq, mencionou o conjunto de artefatos.
Marina el-Alamein é vista, pelos arqueólogos, como a antiga Leukaspis, cidade portuária greco-romana. A ocupação seria núcleo ativo do século II até o IV, segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades.
O governo egípcio aposta nesses achados para reforçar a atração turística, especialmente após turbulências políticas, violência de 2011 e impactos da pandemia. Dados oficiais indicam recorde de 19 milhões de turistas no ano passado, com 6,1 milhões nos primeiros four meses de 2026.
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