- Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto investigam a sertralina, antidepressivo, como antifúngico contra fungos resistentes.
- Estudo mostra que a sertralina atua em múltiplos alvos celulares dos fungos, prejudicando síntese de proteínas, produção de energia, membranas e metabolismo de gorduras e açúcares.
- Análises com RNA-seq indicam alterações genéticas associadas à sobrevivência fúngica, sugerindo dificuldade de adaptação e possível redução do crescimento.
- Em espécies como Trichophyton rubrum e Cryptococcus neoformans, houve mudanças em genes ligados a ribossomos e iniciação da tradução gênica.
- Mesmo com resultados promissores, são necessários mais estudos para confirmar segurança e eficácia, incluindo uso tópico ou combinação com antifúngicos já existentes.
O grupo de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP avaliou o uso da sertralina, antidepressivo, como antifúngico. O estudo, publicado na Genetics and Molecular Biology, analisa efeitos em fungos resistentes. O objetivo é ampliar opções terapêuticas.
A pesquisa envolve uma equipe liderada pela professora Nilce M. Martinez-Rossi e pelo pesquisador Antônio Rossi Filho, com apoio de Mayara Itala Geronimo de Azevedo. O projeto é apoiado por uma linha da FAPESP. Dados apontam ações sobre vários alvos celulares dos fungos.
Os resultados indicam que a sertralina interfere em múltiplos processos fúngicos, provocando desequilíbrios metabólicos. A conclusão sugere potencial para uso isolado ou em combinação com antifúngicos já existentes.
Múltiplos alvos celulares
Os cientistas mostraram que a sertralina afeta simultaneamente síntese de proteínas, geração de energia, integridade da membrana e metabolismo de lipídios e carboidratos. Esse efeito broad-spectrum dificulta a adaptação dos fungos.
A análise genética, por meio de RNA-seq, revelou alterações em genes críticos à sobrevivência fúngica. Os resultados ajudam a entender a resposta global do fungo à presença do fármaco.
Pesquisas indicam também que a sertralina pode reduzir a formação de biofilmes e a biomassa fúngica, com impacto potencial na eficácia de tratamentos existentes.
Estresse celular e resistência
A exposição à sertralina dispara estresse oxidativo e acúmulo de proteínas defeituosas em fungos, além de alterações na autofagia. Essas respostas refletem estratégias de defesa contra o medicamento.
Estudo ressalta que o aumento de espécies reativas de oxigênio está ligado à resposta ao fármaco. Em condições de alto estresse, os mecanismos de reparo podem ficar insuficientes a longo prazo.
Os resultados sugerem que o fungo tenta reorganizar o metabolismo para sobreviver, o que pode abrir caminhos para estratégias terapêuticas inovadoras.
Perspectivas e desafios
Os pesquisadores destacam o potencial terapêutico da sertralina, já estudada para uso isolado ou combinado com antifúngicos. Observa-se redução de cultivo e maior incompletude na formação de biofilmes.
Apesar do otimismo, é necessária validação adicional sobre segurança e eficácia em larga escala. Estratégias como uso tópico ou combinação com antifúngicos tradicionais aparecem como caminhos promissores.
O trabalho demonstra como o repurpose de fármacos pode ampliar opções contra fungos resistentes, contribuindo para compreensão da biologia fúngica e de organismos eucarióticos em geral.
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