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Cidade acessível compensa perdas do envelhecimento e mantém idosos ativos

Mobilidade urbana e acesso a serviços elevam participação social de idosos, compensando limitações funcionais e reduzindo vulnerabilidade

A socióloga e antropóloga Suzana Costa Laranjeira, 72, na rua em que mora na Santa Cecília, no centro de São Paulo; ela tem trocado as corridas na rua por trilhas na natureza por temer calçadas e vias esburacadas
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  • Estudo com 5.068 brasileiros de 50 anos ou mais mostra que ambientes urbanos com mobilidade e acesso a serviços ajudam a manter a participação social, mesmo com limitações físicas ou cognitivas.
  • Quem vive em locais com melhor mobilidade tem mais que o dobro de chance de permanecer ativo socialmente em comparação com quem mora em áreas com infraestrutura pior.
  • Entre os mais comprometidos, apenas 12% mantêm alta participação social em bairros com infraestrutura ruim; o índice sobe para 30% em áreas com melhor mobilidade e serviços.
  • Adaptações simples em casa, como barras de apoio, também podem retardar a perda de autonomia e são citadas como estratégias de prevenção.
  • O estudo destaca que vulnerabilidade econômica amplia os benefícios de bairros com infraestrutura adequada, e abre caminho para discutir financiamentos de adaptações domiciliares por planos de saúde.

O estudo, realizado com 5.068 brasileiros com 50 anos ou mais, analisa como o ambiente urbano influencia a capacidade de permanecer ativo, mesmo diante de limitações físicas ou cognitivas. A pesquisa aponta que bairros com boa mobilidade, transporte público acessível e vias seguras permitem maior participação social na velhice.

Conduzido pelo Hospital Sírio-Libanês, o trabalho utiliza a capacidade intrínseca da OMS, que engloba mobilidade, cognição, humor, vitalidade e funções sensoriais. Os dados sugerem que um ambiente urbano favorável pode compensar parte da perda funcional.

O estudo foi apresentado no mês anterior à divulgação na OMS e publicado na Age and Ageing, instituição ligada à Universidade de Oxford. O conjunto de informações deriva de avaliações de comunidades urbanas de todo o país.

O que a pesquisa avaliou

Entre os participantes com maior comprometimento físico e mental, apenas 12% mantinham alta participação social em áreas com infraestrutura precária. O índice sobe para 30% em locais com melhores condições de mobilidade e serviços.

Segundo o geriatra Márlon Aliberti, a hipótese central é que o ambiente pode ampliar capacidades que não dependem apenas de ausência de doenças. O estudo reforça que pessoas com condições como artrose podem manter funcionalidade com reabilitação adequada.

A análise contemplou doenças crônicas típicas do envelhecimento, como hipertensão, Parkinson, Alzheimer, câncer e AVC, além de indicadores de capacidade intrínseca.

Implicações práticas e grupos vulneráveis

Casos com Parkinson ilustram o argumento: travessias seguras e tempos adequados de semáforo permitem que indivíduos com marcha mais lenta realizem atividades simples que, em contextos diferentes, seriam mais desafiadoras.

O efeito é mais evidente entre grupos socialmente vulneráveis. Pessoas com menor renda em regiões historicamente menos assistidas ganham maior benefício com bairros com melhor infraestrutura.

Especialistas mencionam que intervenções dentro de casa também ajudam. Barras de apoio e ajustes que facilitam sentar e levantar podem retardar a perda de autonomia.

Planos de saúde podem financiar adaptações domiciliares, como estratégia de prevenção à perda funcional, segundo o estudo. A ideia é reduzir custos com independência ao longo do tempo.

Considerações sobre políticas públicas

A pesquisa aponta que, embora existam cidades reconhecidas como amigas da pessoa idosa, há distância entre esse reconhecimento e a prática cotidiana. A avaliação sugere maior foco em mobilidade urbana, acessibilidade e acesso a serviços para ampliar participação social.

Especialistas destacam que mudanças simples no entorno e no lar podem ter impacto significativo na qualidade de vida de idosas e idosos. O tema envolve discussões internacionais sobre financiamento de adaptações residenciais.

A conclusão não é apresentada como opinião; os autores enfatizam a relevância de ambientes urbanos e domiciliares como componentes da promoção da autonomia na velhice.

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