- O pesquisador Simon Baron-Cohen afirmou que se arrepende de usar a expressão “cérebro extremamente masculino” para a autismo, dizendo que esse rótulo facilita equívocos, como a ideia de que pessoas autistas não têm empatia.
- Um donativo de 26 milhões de libras da filantropa Lisa Yang financiará o Centro de Pesquisa Lisa Yang para Autismo (K Lisa Yang Centre for Autism Research) em Cambridge e um centro clínico no futuro hospital infantil da cidade, ambos sob a supervisão de Baron‑Cohen.
- O centro deve investigar como aumentar a expectativa de vida, melhorar o diagnóstico precoce e oferecer soluções práticas para a qualidade de vida, com atenção especial à saúde física, que tem ficado em segundo plano.
- Pesquisas da equipe de Baron‑Cohen indicam risco substancialmente maior de doenças cardiovasculares entre pessoas autistas; mulheres autistas teriam 71% a mais de chance de sofrer eventos cardíacos, mesmo ajustando fatores como pressão arterial, diabetes e obesidade.
- O projeto destaca a importância da participação da comunidade autista no planejamento das pesquisas e reforça a necessidade de consultas desde fases iniciais; o histórico de controvérsias sobre o rótulo “extreme male brain” é citado como aprendizado.
Prof Simon Baron-Cohen, pioneiro da teoria do “cérebro extremo masculino” na autismo, disse que hoje vê a expressão como pouco útil e que parte da linguagem pode levar a equívocos. Ele afirmou que termos como “cérebro masculino” podem gerar manchetes simplistas, como a ideia de que pessoas autistas não têm empatia, o que não procede.
A afirmação ocorre à medida que se divulga uma doação de 26 milhões de libras (cerca de 34,5 milhões de dólares) para a Universidade de Cambridge, vindos da benefatora americana Lisa Yang. A doação financiará a criação do K Lisa Yang Centre for Autism Research e um centro clínico de autismo no futuro hospital infantil de Cambridge, sob a supervisão de Baron-Cohen.
Segundo o pesquisador, o centro pretende melhorar a expectativa de vida e os desfechos de saúde de pessoas autistas, com diagnóstico mais precoso e soluções práticas para a qualidade de vida. Baron-Cohen destaca que a saúde física tem sido negligenciada na pesquisa sobre autismo.
Estudos recentes do grupo dele, ainda não revisados por pares, apontam risco aumentado de doenças cardiovasculares entre pessoas autistas, com dados de 141.672 indivíduos. As mulheres autistas teriam 71% de risco maior de eventos cardíacos, mesmo levando em conta fatores como pressão arterial, diabetes e obesidade.
Baron-C-Cohen também mencionou que a associação entre autismo e saúde cardiovascular pode exigir atenção clínica específica. Ele afirmou que pacientes autistas devem ser avaliados quanto a esses fatores de risco no consultório, o que pode trazer benefício direto para o manejo clínico.
O centro também deverá investigar experiências de saúde física de mulheres autistas, incluindo sofrimento durante parto e ciclos menstruais, áreas apontadas por estudos anteriores como mais propensas a variações. Baron-Cohen ressaltou que o diálogo com a comunidade autista está mudando, destacando fenômenos que precisam de atenção.
Anteriormente, o pesquisador enfrentou críticas pela teoria do “cérebro extremo masculino” por reforçar estereótipos de gênero e associar autismo a déficits de empatia. Em entrevistas, ele reconheceu que pessoas autistas podem apresentar diferenças na empatia cognitiva, sem negar a empatia afetiva.
A equipe de Baron-Cohen já enfrentou controvérsias, como a tentativa de sequenciar o genoma de 10 mil pessoas com autismo, projeto que foi abandonado após consulta pública com a comunidade autista. O pesquisador afirma que há agora maior ênfase na participação da comunidade na definição de prioridades de pesquisa.
Em meio ao aumento contínuo de diagnósticos de autismo, dados no Reino Unido indicam crescimento expressivo entre 1998 e 2018, seguido de alta de casos referidos a serviços de saúde mental em 2024-2025. Baron-Cohen afirma que os resultados podem influenciar a prática clínica, com possibilidades de reduzir filas de espera por diagnóstico.
Entre na conversa da comunidade