- São Paulo tem menos de 10% do consumo de água recomendado pela ONU, com 127 m³ por habitante por ano, ante o limite de 1.700 m³.
- A região metropolitana importa mais de metade da água de outras bacias para sustentar o abastecimento, diante de uma vazão natural baixa nas nascentes da área.
- O Diagnóstico PMSAI-SP, base para o Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado, propõe reaproveitar esgoto tratado para recarga de mananciais como forma de equilibrar a oferta.
- O reúso indireto já é praticado em outras regiões, como Califórnia, Austrália e Israel, e no plano paulistano seria utilizado em mananciais estratégicos para manter reservatórios estáveis, principalmente em períodos de seca.
- A meta é alcançar 9,2% de reúso do volume total consumido até 2045, com incentivos aos consumidores para ampliar o aproveitamento de água e reduzir pressão sobre o sistema de drenagem. A consulta pública do plano fica aberta até 12 de julho.
Com 21 milhões de habitantes na região metropolitana, São Paulo vive um cenário de escassez hídrica. A cidade depende de água de bacias que ficam sob pressão, o que acende o alerta para o manejo de recursos.
Hoje, cada morador das áreas sobre a Bacia do Alto Tietê tem menos de 10% do mínimo recomendado pela ONU. A oferta aprox. 127 m3 por pessoa/ano contrasta com o patamar de 1.700 m3, considerado hídrico pela organização.
A Cantareira, principal complexo de reservatórios, opera com menos de metade da capacidade em períodos de seca. O atual desafio é manter o abastecimento sem depender de novas transposições de água entre bacias.
Diagnóstico e encaminhamentos do PMSAI-SP
O Diagnóstico PMSAI-SP, embasando o Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado, aponta a necessidade de ampliar o reaproveitamento de efluentes tratados. A consulta pública do documento permanece aberta até 12 de julho.
O plano propõe estratégias para 20 anos, incluindo abastecimento, esgoto, drenagem e gestão de resíduos. Entre as medidas está o reúso de esgoto para recarga de mananciais estratégicos, especialmente em períodos de seca.
O reúso indireto já é aplicado de forma restrita em outros países, como Estados Unidos, Austrália e Israel. A proposta paulistana visualiza aplicação em mananciais que alimentam o Alto Tietê e outros reservatórios, com ciclos fechados de água.
Metas, incentivos e impactos previstos
O plano estabelece meta de 9,2% de reúso sobre o volume total consumido até 2045. Além da recarga de mananciais, o reúso deve atender indústria, construção civil e limpeza urbana, com melhoria do uso não potável de águas pluviais desde 2002.
Para viabilizar as metas, a Prefeitura avalia estímulos financeiros aos consumidores para incentivar o reaproveitamento e a redução do consumo. A coordenadora de Segurança Hídrica cita estudos de incentivo como ferramenta-chave.
Autoridades destacam que, com o avanço do El Niño e ondas de calor mais frequentes, a demanda por água tende a aumentar. A expectativa é que cada grau Celsius de elevação da temperatura eleve o consumo em quase 25%.
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