- A médica Sunita Sah lança o livro “Ouse Dizer Não”, defendendo que dizer não, quando fizer sentido, pode ser ato de resistência e está ligado aos valores pessoais.
- Ela afirma que somos condicionados a obedecer e a que a ansiedade da crítica é uma força pouco reconhecida no comportamento humano.
- A cultura brasileira, marcada pelo jeitinho e pela cordialidade, pode tornar mais difícil recusar, pois a harmonia costuma ser recompensada socialmente.
- O caso de Alex Kueng, que participou da abordagem a George Floyd segurando suas pernas, é apresentado como exemplo de como a hierarquia da desobediência pode ter consequências diferentes conforme o grupo social e a posição ocupada.
- Sah propõe separar valor de moral e afirma que desobediência não é impulso, mas prática construída a partir de pequenos atos, permitindo agir conforme os próprios princípios.
Sunita Sah lança o livro Ouse Dizer Não, defendendo que agir conforme valores próprios, e não por impulso, reforça a integridade pessoal. A autora argumenta que dizer não pode ser um ato de resistência quando faz sentido para quem somos, não para agradar terceiros.
A psicóloga organizacional aponta que a ansiedade diante de críticas é uma força silenciosa que guia o comportamento. Segundo Sah, a pressão para obedecer costuma ser maior do que se imagina, mesmo em sociedades que valorizam autonomia.
Desobediência e contexto profissional
No caso envolvendo Alex Kueng, policial de Minneapolis, Sah destaca a dinâmica de hierarquia que pode incentivar a obediência a ordens conflitantes com convicções pessoais. A especialista ressalta que a pressão institucional influencia decisões sob estresse.
A autora critica a ideia de que dizer não é mera coragem isolada. Em sua visão, a prática é construída por pequenos atos consistentes, baseados em valores internos e não em impulsos momentâneos.
Cultura e impacto social
A autora comenta que culturas que privilegiam harmonia tendem a tornar a desobediência mais custosa, transformando recusa em afronta. Mesmo em nações com tradição de independência, o grau de conformidade pode ser elevado.
Sah orienta distinguir entre valores pessoais e normas de grupo. Perguntar se a recusa reflete quem a pessoa é ou expectativas do grupo ajuda a entender a motivação por trás de cada decisão.
Conclusões práticas
A proposta central é agir conforme princípios e não apenas evitar constrangimentos. Dizer não não deve ser visto como ruptura impulsiva, mas como resultado de uma autoavaliação disciplinada, alinhada à própria identidade.
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