- Estudo apresentado na Nature analisou posições de cerca de 47 milhões de galáxias, usando dados do Dark Energy Spectroscopic Instrument, ao longo de aproximadamente 11 bilhões de anos cósmicos.
- Os pesquisadores encontraram uma rede de filamentos e paredes galácticas que permanece alinhada e interconectada em escalas ultralargas, sugerindo que o universo pode não ser uniforme em todas as direções.
- Não se trata de um eixo cósmico único; os padrões observados são mais sutis, persistindo sem desaparecer conforme se observa áreas maiores do cosmos.
- Se confirmadas, as descobertas podem exigir reavaliação de modelos de matéria escura, gravidade e formação de estruturas, mas os resultados ainda precisam ser replicados por outros conjuntos de dados.
- A equipe desenvolveu uma nova técnica estatística para medir se as orientações de pares de galáxias mantêm padrões coerentes em escalas próximas de 1 gigaparsec.
Dois pesquisadores apontam que o universo pode não ser tão uniforme quanto suposto. Um estudo publicado na Nature analisa quase 47 milhões de galáxias para verificar a estrutura em grandes escalas cósmicas. Os resultados sugerem padrões persistentes no fio cósmico, mesmo em bilhões de anos-luz de distância.
Os autores são Francesco Sylos Labini, pesquisador-chefe no Enrico Fermi Research Center, na Itália, e Marco Galoppo. A pesquisa emprega uma nova técnica estatística para detectar padrões de orientação entre pares de galáxias em escalas de até cerca de um gigaparsec, algo em torno de 3,3 bilhões de anos-luz.
O que foi observado
A equipe encontrou redes de filamentos e paredes de galáxias que permanecem alinhadas e interconectadas ao longo de distâncias imensas. Segundo Sylos Labini, a organização dessas estruturas não desaparece conforme se estende a visão, o que contrasta com a ideia de homogeneidade absoluta em grande escala.
Implicações para cosmologia
Os resultados não indicam que o universo tenha um eixo único de direção, mas sugerem que as estruturas maiores podem manter padrões mensuráveis. Caso confirmados por novas observações, os dados podem exigir revisão de modelos sobre matéria escura, gravidade e formação de estruturas cósmicas.
Próximos passos científicos
Os pesquisadores destacam que as conclusões dependem de replicação independente com conjuntos de dados maiores e com métodos diferentes. O estudo marca uma etapa de evolução na forma de medir a grande escala do cosmos, mantendo o ceticismo técnico necessário para futuras confirmações.
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