- Durante a London Climate Action Week, um debate sobre calor extremo foi cancelado por causa do calor, em espaço sem ar‑condicionado na London School of Economics, ilustrando a realidade de cidades pouco preparadas para ondas de calor.
- O Instituto Nacional de Meteorologia, aliado à Organização Meteorológica Mundial, alerta para alta probabilidade de El Niño em 2026 e possibilidade de persistência até 2027, com impactos diferentes por região no Brasil.
- Regiões brasileiras devem enfrentar: Norte com menos chuva e risco de seca; Nordeste com estresse hídrico; Centro-Oeste com maior calor; Sudeste com ondas de calor; Sul com chuvas acima da média e potenciais inundações.
- O setor financeiro busca usar dados de adaptação, via AdaptaBrasil, mas ainda falta metodologia que traduza esses dados em parâmetros de crédito; sem isso, investimentos em resiliência perdem impulso.
- A adaptação é apresentada como investimento: aumenta custos iniciais, mas pode gerar retornos significativos e reduzir riscos; com decisões públicas a serem definidas pelo ciclo eleitoral no Brasil.
Um evento sobre calor extremo teve de ser cancelado durante a London Climate Action Week, em meio a temperaturas próximas de 40°C na cidade. A universidade informou que o encontro não poderia ocorrer diante do alerta vermelho do Met Office. A sessão era na London School of Economics e ocupava o Old Building, sem ar-condicionado.
A decisão aconteceu dias após França registrar mais de mil óbitos associados à onda de calor. Diversos países europeus ajustaram o funcionamento de escolas e transportes. Cidades dos EUA também enfrentaram recordes de calor, elevando o debate sobre infraestrutura resiliente frente ao clima.
Essa realidade mostra que ambientes urbanos não foram projetados para ondas de calor tão intensas. Londres, Paris e outras capitais enfrentam falhas em escolas, hospitais e transporte frente a eventos climáticos extremos. O Brasil, por sua vez, observa esse cenário com atenção diplomática e técnica.
El Niño 2026: impactos esperados no Brasil
O INMET, alinhado à WMO, aponta alta probabilidade de formação de El Niño ainda em 2026, com impactos regionais distintos. O norte pode ter seca maior e risco de queimadas; o nordeste, escassez hídrica; o centro-oeste, estresse hídrico; o sudeste, verões mais quentes; o sul, chuva acima da média.
A probabilidade de configuração supera 80% e pode perdurar até 2027. Boletins conjuntos com INPE, ANA, CEMADEN e outros indicam alta chance de um El Niño forte entre a primavera e o verão. O alerta é de necessidade de adaptação territorial e planejamento.
Entre os impactos esperados estão pressões sobre água, energia e alimentos. Dados regionais indicam variações como chuvas intensas no Sul e redução de chuvas no Norte, com efeitos sobre navegação, abastecimento e agricultura familiar no país.
Adaptação e investimentos
Estudos indicam que incluir medidas de resiliência desde o planejamento eleva custos iniciais, mas aumenta retornos anuais significativos. Em saúde, ganhos relatados chegam a quase 80% do investimento. O custo adicional médio fica próximo de 3% no lançamento de projetos.
Mesmo assim, investimentos climáticos sofrem mudanças. O Banco Mundial retirou meta obrigatória de que 45% dos financiamentos fosse para projetos climáticos. Em Londres, a linha de Piccadilly só ganhou ar-condicionado após décadas, ilustrando adaptação reativa.
Nova Iorque adotou plano específico para calor extremo, colocando adaptação no centro das políticas públicas. O Brasil passa por ciclo eleitoral decisivo, com decisões sobre infraestrutura, água e mobilidade que afetarão a resiliência.
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