- Em Awoye, litoral do delta do Níger, famílias convivem há seis anos com fumaça, fuligem e gases tóxicos do poço de petróleo Ororo-1, que queima continuamente desde o blowout de abril de 2020.
- Moradores relatam tosse persistente, irritação na pele e dificuldades respiratórias; a pesca, principal sustento, enfraquecida pela poluição do mar.
- Não há monitoramento de saúde público adequado e pouco acesso a clínica especializada, agravando impactos na saúde das comunidades ao longo da costa de Ilaje.
- Estudo recente aponta altos níveis de hidrocarbonetos policíclicos no sangue de mulheres de outra região petrolífera, evidenciando riscos à saúde associáveis à contaminação contínua.
- Ativistas e especialistas dizem que a governança ambiental falha em proteger a população, com consequências duradouras para saúde, meio ambiente e economia local.
A poluição provocada pela queima contínua de um poço de petróleo offshore, o Ororo-1, em Awoye, no delta do Níger, persiste há seis anos. Famílias relatam tosse persistente, irritação na pele e dificuldade respiratória entre perdas de meios de subsistência. Não há resposta governamental atendendo aos apelos.
A população vive junto ao litoral da Ondo state, onde o petróleo vindo do mar se acumula em água, recipientes e alimentos sem proteção adequada. As testemunhas dizem que a queima libera fumaça, fuligem e vapores tóxicos que chegam às casas pela brisa marítima.
Em Awoye, os moradores relatam que o filho de Bodunwa Orugbemi, Ijadopin, de 21 anos, está hospitalizado desde maio, sem conseguir falar. O quadro inclui tosse dolorosa, irritação cutânea e respiração difícil. A família descreve uma fragilidade crescente.
Desdobramentos na região
Profissionais de saúde ambiental apontam a ausência de monitoramento de longo prazo para a população exposta. Estudos indicam contaminação por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e outros poluentes resultantes da queima contínua do petróleo.
A ONG Renevlyn Development Initiative ressalta que esse cenário não é isolado. Em várias comunidades da costa de Ilaje, as pessoas relatam piora de saúde, queda na atividade pesqueira e deterioração de condições de vida associadas à poluição.
Relatos de pescadores destacam que o odor de petróleo e a fuligem disseminam-se pela área, dificultando a prática da pesca e afetando a renda das famílias. Alguns moradores chegam a comprar combustível caro para buscar peixes em áreas mais distantes.
O que se sabe e o que falta
Especialistas apontam impacto potencial a longo prazo, com riscos de doenças respiratórias, dermatológicas e cardiovasculares. Falta um sistema robusto de monitoramento ambiental e de saúde para a população do delta do Níger.
Bieye Briggs, da saúde ambiental, frisa a necessidade de bio-monitoração para entender o que entra no organismo das pessoas expostas. Verificam-se graves lacunas em estudos regionais sobre poluição por petróleo.
A Health of Mother Earth Foundation ressalta que a queima contínua de crude pode liberar benzena, dióxido de enxofre, material particulado e PAHs, associados a câncer e problemas cardiorrespiratórios. A pobreza também se aprofunda pela perda de meios de vida.
A comunidade local, com apoio de organizações, convive com acesso limitado a serviços de saúde, especialmente cuidados respiratórios, e depende de clínicas de baixo custeio para tratamentos básicos.
Falta de resposta oficial
Nenhuma empresa concessionária, Owena Oil and Gas, nem o governo de Ondo respondeu aos pedidos de comentário. Moradores denunciam que as autoridades não realizaram avaliação pública de saúde abrangente na região.
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