- A Network of Women (NOW) liga profissionais de conservação mulheres na Ásia Sudeste, com workshops presenciais e plataforma online; foi lançada em dois mil e vinte e um pelo Asian Species Action Partnership (ASAP).
- Jessa Cabaay, de conservação marinha nas Filipinas, diz que o NOW Collective ajudou a aumentar sua confiança e a ganhar a confiança das comunidades pesqueiras.
- Pesquisas mostram que mulheres na conservação enfrentam barreiras culturais, assédio, desequilíbrios salariais e menos chances de avançar na carreira, gerando estresse psicológico.
- Plataformas de mentorias e redes de apoio entre mulheres têm mostrado melhorar bem-estar, senso de pertencimento e resultados de conservação em diversas regiões.
- Há apelos por políticas institucionais mais inclusivas, apoio financeiro estável e participação masculina como aliados para reduzir barreiras e promover liderança feminina na conservação.
Jessa Cabaay trabalhava em conservação marinha nas Filipinas e raramente via outras mulheres na sala. A ausência de colegas femininas deixava-a insegura para apresentar planos a comunidades pesqueiras, principalmente homens mais velhos, que duvidavam de sua atuação. Esse cenário refletia crenças culturais locais sobre o papel da mulher.
Hoje, Cabaay atua como gerente técnica da Community Centered Conservation (C3) e encontra apoio em uma rede de pares que conecta profissionais mulheres da conservação na região. O reconhecimento de que não estão sozinhas fortalece sua confiança para participar de reuniões e liderar com empatia.
A rede Network of Women NOW, liderada pela ASAP (Asian Species Action Partnership), foi lançada em 2021. Reúne mulheres que trabalham em projetos apoiados pela ASAP na Ásia Sudeste e oferece encontros presenciais, oficinas de liderança e uma plataforma online para manter o networking entre as ex-alunas.
Para Cabaay, fazer parte do NOW Collective ajudou a consolidar abordagens colaborativas e de escuta nas comunidades pesqueiras, fortalecendo a confiança das lideranças femininas. Ela destaca que liderança pode vir da gentileza e do ouvir, sem necessidade de mudar quem é.
O NOW nasceu para enfrentar a subrepresentação feminina em cargos de decisão na conservação. Pesquisas indicam que mulheres enfrentam riscos de sofrimento psicológico, barreiras de avanço na carreira, assédio e desafios com segurança no campo, além de desequilíbrios entre trabalho e cuidados familiares.
Especialistas ressaltam que redes de apoio entre mulheres e mentoria entre pares já mostraram resultados positivos em outras regiões, inclusive na América Latina, fortalecendo bem-estar, pertencimento e retenção no setor. A NOW representa uma resposta estruturada a esses desafios na Ásia.
Em termos de impacto, estudos sugerem que a participação feminina amplia a diversidade de perspectivas, o que favorece criatividade, inovação e resultados de conservação. Experiências na região apontam ganhos em governança, manejo de habitats e engajamento comunitário quando mulheres lideram ou colaboram de forma efetiva.
Entre as lideranças que participam do NOW, há relatos de melhor equilíbrio entre vida profissional e familiar. Usuárias destacam ganhos de energia, delegação de tarefas e afirmação de suas próprias capacidades, o que, segundo elas, repercute na confiança de suas equipes e comunidades.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que mudanças institucionais são necessárias para assegurar políticas de igualdade de gênero, ambientes de trabalho seguros e mecanismos de denúncia eficazes. A participação masculina como aliada é considerada essencial para transformar culturas organizacionais.
O NOW depende de financiamento de longo prazo para manter a rede e apoiar novas egressas. Em paralelo, cresce a expectativa de que governos, organizações e financiadores adotem políticas específicas que assegurem condições de trabalho inclusivas, respeitosas e estáveis para todas as profissionais.
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