- A pandemia fechou casas de show de até 500 pessoas em São Paulo, com Morfeus Club entre os exemplos que não resistiram ao cenário atual.
- Espaços alternativos de música como Estação Rio Verde, Breve, Ó do Borogodó e Casa de Francisca anunciaram encerramento, mas buscaram reerguer com doações e projetos de apoio.
- O atraso na vacinação, o decreto da fase emergencial e a queda de receitas de shows agravaram dívidas, fechamento de contratos e demissões de funcionários.
- Recursos da Lei Aldir Blanc ajudaram parcialmente, mas parte do dinheiro foi usada para pagar IPTU, aluguel e outras contas, dificultando a sobrevivência das casas.
- Algumas iniciativas emergenciais estão em curso, com planos de editais estaduais e municipais para o setor; anunciada a possibilidade de reformular modelos de negócios para além dos shows.
Um circuito de casas de show independentes em São Paulo enfrenta fechamento ou forte queda de atividade desde o início da pandemia. Espaços com até 500 pessoas, que costumavam abrir espaço para indie, punk e rap, viram contratos cancelados e dívidas se acumularem.
Entre os locais afetados estão o Morfeus Club, no centro, conhecido por receber nomes da cena rap e punk. A casa acumulou dívidas e interrompeu atividades, dificultando o retorno do público mesmo com flexibilização parcial.
A cena de pequeno porte em SP já vinha em ritmo adverso antes da crise sanitária. Nomes como Estação Rio Verde, Breve, Ó do Borogodó e Casa de Francisca anunciaram o fim de atividades, mas depois buscaram novas formas de captação de recursos.
Outras casas menores, como o Centro da Terra, JazzNosFundos e JazzB, também tentaram manter operações com projetos de doação e ações de arrecadação, enquanto a dependência das fontes de renda de shows os deixava vulneráveis.
Segundo lideranças da cena, cerca de 70% das casas independentes já teriam fechado ou encerrado atividades, com poucas perspectivas de retomada para espaços de menor porte no horizonte próximo. A pandemia agravou dívidas e custos fixos.
Contexto financeiro e apoio público
Montantes públicos chegaram aos espaços culturais por meio da Lei Aldir Blanc e editais municipais. A Prefeitura de São Paulo informou distribuição de 20 milhões de reais pelo programa Aldir Blanc e 1 milhão por edital específico. Outros recursos públicos somam milhares de reais a projetos de relançamento.
O estado indica potenciais fontes de apoio, como o ProAC Expresso Editais e o ProAC Expresso ICMS, com somatório de dezenas de milhões de reais. Um novo pacote de incentivos está previsto para este ano, visando manter parte do circuito ativo.
Alguns espaços encontraram alternativas para permanecerem de pé. O Ó do Borogodó lançou campanha de arrecadação, o JazzNosFundos e o JazzB apostaram no delivery, e a Casa de Francisca busca patrocínios mensais para manter atividades.
Para os gestores, o desafio vai além do dinheiro. A reconstrução envolve reconfigurar espaços de acolhimento para músicos, com reavaliação de formatos, parcerias e modelos de gestão que permitam a sobrevivência de um circuito cultural alternativo.
A percepção entre os setores é de que o apoio público precisa ser mais ágil, desburocratizado e alinhado às particularidades de espaços menores, que funcionam como infraestrutura criativa e serviço público de cultura para a cidade.
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