- Brasil precisa aplicar em infraestrutura 423 bilhões por ano, equivalente a 4,3% do PIB, para evitar a depreciação dos ativos e ampliar rodovias, ferrovias e aeroportos.
- Em dois mil e vinte e dois, o investimento total ficou em 163 bilhões, apenas 39% do que seria necessário para melhorar o parque existente.
- O estoque atual de infraestrutura representa 36,2% do PIB, bem abaixo de patamares vistos no passado e de países desenvolvidos, que ficam acima de sessenta por cento do PIB.
- O setor privado já responde por cerca de 80,4% dos investimentos em infraestrutura; o orçamento de dois mil e vinte e três reserva apenas 20 bilhões para investimentos.
- Áreas prioritárias incluem transportes e logística, saneamento, energia elétrica e gás natural; há estimativas de que, nos próximos dez anos, investimentos privados já firmados cheguem a mais de dois trilhões de reais, podendo superar três trilhões conforme projetos em andamento.
O Brasil precisaria aplicar 423 bilhões de reais por ano em infraestrutura para atender rodovias, ferrovias e aeroportos, correspondentes a 4,3% do PIB. O objetivo é evitar a depreciação dos ativos e ampliar a capacidade produtiva do país.
Em 2022, o investimento total foi estimado em 163 bilhões de reais, público e privado, apenas 39% do necessário. A capacidade de manter o estoque existente ficou em torno de 1,4% do PIB, insuficiente para acompanhar as novas demandas.
Queda do investimento público
Levantamento aponta que o governo Bolsonaro encerra o mandato com 78 bilhões aplicados em grandes projetos, incluindo estatais. Em comparação, o governo anterior investiu mais entre 2017 e 2018, com 96,5 bilhões.
Ao longo de 20 anos, Lula foi o presidente que mais ampliou o investimento, chegando a médias de 84,2 bilhões no primeiro mandato e 170,4 bilhões no segundo. Dilma também manteve níveis elevados no início, mas houve queda no segundo mandato.
A Lava Jato ajudou a gerar desconfiança de investidores, contribuindo para projetos inacabados e para o aumento da dívida pública, que chegou a 77% do PIB em outubro.
Onde o dinheiro seria mais necessário
Concessionamento e participação privada respondem por cerca de 80% do investimento atual, mas setores como transportes e saneamento ainda demandam aporte público relevante. O saneamento recebeu 21 bilhões até o fim de 2022, 0,2% do PIB, com necessidade de dobrar esse patamar.
O setor de transportes envolve rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A Abdib aponta que seria necessária uma faixa adicional de pelo menos 100 bilhões de reais anuais para cumprir metas de infraestrutura a partir de 2023, com o retorno de parte por meio de securitização da dívida tributária.
Avanços e desafios por setor
No gás natural, o Brasil mantém baixa expansão de gasodutos para o interior, com tendência de maior uso de fontes fósseis menos poluentes. Projetos de ampliação enfrentam entraves no Congresso e no governo.
Na energia elétrica, o país investe cerca de 70 bilhões de reais, próximo do patamar recomendado pela Abdib. A privatização da Eletrobras pode ampliar a capacidade de investimento do setor.
Aeroportos, portos e ferrovias já mostram participação privada relevante, incluindo ativos arrendados e concessionados. O rodoviário permanece fortemente sob responsabilidade da União, com planos de concessão em tramitação.
Perspectivas para os próximos anos
Especialistas afirmam que o setor privado pode sustentar o ritmo de investimentos, desde que haja ambiente regulatório estável. Estão em jogo novas fontes de financiamento, como créditos tributários e securitização de dívida.
Estimativas apontam que, nos próximos 10 anos, já existem mais de 2 trilhões de reais em investimentos privados firmados, com potencial para ultrapassar 3 trilhões se todos os projetos saírem do papel. O governo poderá manter esse impulso, caso haja continuidade de políticas pro-privatização e concessões.
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