- Em 2020, o Brasil respondeu por 0,5% do mercado global de exportações de serviços de engenharia, em um total de US$ 420 bilhões.
- O país chegou a ter 3,2% desse mercado em 2015, quando o volume global era de US$ 500 bilhões. Se mantivesse aquela participação, o Brasil teria exportado US$ 11 bilhões a mais em 2020.
- A queda começou após 2015, com perdas de contratos e punições vinculadas à Operação Lava Jato, levando o faturamento das maiores empresas de engenharia de R$ 108 bilhões em 2015 para R$ 12 bilhões em 2019.
- A participação brasileira no mercado global caiu 85% entre 2015 e 2020, em parte devido a redução de linhas de crédito oficiais, que passaram de 83% a 91%.
- Em 2020, China liderava com 26% do mercado, seguida pela Espanha com 15%; especialistas avaliam que o Brasil poderia alcançar 4% do mercado global, similar ao patamar da Turquia naquela época.
O Brasil viu sua participação no mercado mundial de exportação de serviços de engenharia encolher significativamente desde o auge de 2015. Naquele ano, a participação brasileira chegou a 3,2% do mercado global, em um total estimado em US$ 500 bilhões. Em 2020, esse percentual caiu para 0,5%, com o total global em US$ 420 bilhões.
Segundo levantamento de Evaristo Pinheiro, especialista que já ocupou cargos no Sinicon, o Brasil poderia ter exportado US$ 11 bilhões a mais em 2020 se mantivesse a fatia de 2015. O estudo utiliza dados globais para acompanhar a evolução das exportações de serviços de engenharia nas últimas décadas.
A trajetória de queda começou após 2015, período em que o faturamento das maiores empresas do setor caiu acentuadamente. Dados do Poder360 apontam recuo de 89% no faturamento de grandes empresas entre 2015 e 2019, de R$ 108 bilhões para R$ 12 bilhões.
Desempenho internacional e crédito à exportação
A participação brasileira em exportações de engenharia teve impulso inicial no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), com políticas de financiamento à exportação. A partir de 2015, contudo, o recuo foi acentuado pela perda de contratos e por punições associadas à Operação Lava Jato.
A queda da fatia global entre 2015 e 2020 ficou em 85%. Entre as razões apontadas estão a redução de linhas de crédito oficiais, que recuou entre 83% e 91%. Pinheiro critica a retirada de crédito voltado a exportação com foco em construção pesada.
Financiamento, custos e críticas
Críticos destacam a inadimplência de alguns governos em contratos no exterior. Um exemplo citado envolve Cuba e o Porto Mariel, com impactos financeiros que teriam ficado a cargo do Tesouro Nacional por meio do BNDES, via Fundo de Garantia à Exportação (FGE). O FGE é visto como instrumento de seguro, com superavit para o Tesouro.
Apesar das críticas, o FGE teria permitido que parte dos recursos fosse recuperada, minimizando o risco para o BNDES. As obras financiadas no exterior seriam, segundo especialistas, parte de uma estratégia mais ampla de geração de empregos e de integração de cadeias produtivas.
Perspectivas e cenário atual
O ranking global em 2020 tinha a China na liderança, com 26% do mercado, seguida pela Espanha com 15%. Pinheiro afirma que o Brasil poderia mirar patamar próximo ao que a Turquia atingou em 2020, cerca de 4% do mercado global, com ajustes no crédito à exportação e na política de incentivo à engenharia.
O Sinicon ressalta que algumas construtoras brasileiras já atuam no exterior com linhas de crédito locais para clientes públicos e privados. A melhoria do acesso a crédito no Brasil é apontada como fator-chave para ampliar a participação nacional no mercado externo.
Entre na conversa da comunidade