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Brasil deixa de exportar 11 bilhões de dólares em serviços de engenharia

Brasil perde espaço no mercado global de engenharia, caindo de 3,2% em 2015 para 0,5% em 2020, com impacto nas exportações.

Empresa brasileira atuou na reforma do aeroporto internacional de Miami (foto), uma das maiores obras da cidade. Mas participação de companhias nacionais no mercado global caiu nos últimos anos – foto: Andrés Dallimonti (via Unsplash)
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  • Em 2020, o Brasil respondeu por 0,5% do mercado global de exportações de serviços de engenharia, em um total de US$ 420 bilhões.
  • O país chegou a ter 3,2% desse mercado em 2015, quando o volume global era de US$ 500 bilhões. Se mantivesse aquela participação, o Brasil teria exportado US$ 11 bilhões a mais em 2020.
  • A queda começou após 2015, com perdas de contratos e punições vinculadas à Operação Lava Jato, levando o faturamento das maiores empresas de engenharia de R$ 108 bilhões em 2015 para R$ 12 bilhões em 2019.
  • A participação brasileira no mercado global caiu 85% entre 2015 e 2020, em parte devido a redução de linhas de crédito oficiais, que passaram de 83% a 91%.
  • Em 2020, China liderava com 26% do mercado, seguida pela Espanha com 15%; especialistas avaliam que o Brasil poderia alcançar 4% do mercado global, similar ao patamar da Turquia naquela época.

O Brasil viu sua participação no mercado mundial de exportação de serviços de engenharia encolher significativamente desde o auge de 2015. Naquele ano, a participação brasileira chegou a 3,2% do mercado global, em um total estimado em US$ 500 bilhões. Em 2020, esse percentual caiu para 0,5%, com o total global em US$ 420 bilhões.

Segundo levantamento de Evaristo Pinheiro, especialista que já ocupou cargos no Sinicon, o Brasil poderia ter exportado US$ 11 bilhões a mais em 2020 se mantivesse a fatia de 2015. O estudo utiliza dados globais para acompanhar a evolução das exportações de serviços de engenharia nas últimas décadas.

A trajetória de queda começou após 2015, período em que o faturamento das maiores empresas do setor caiu acentuadamente. Dados do Poder360 apontam recuo de 89% no faturamento de grandes empresas entre 2015 e 2019, de R$ 108 bilhões para R$ 12 bilhões.

Desempenho internacional e crédito à exportação

A participação brasileira em exportações de engenharia teve impulso inicial no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), com políticas de financiamento à exportação. A partir de 2015, contudo, o recuo foi acentuado pela perda de contratos e por punições associadas à Operação Lava Jato.

A queda da fatia global entre 2015 e 2020 ficou em 85%. Entre as razões apontadas estão a redução de linhas de crédito oficiais, que recuou entre 83% e 91%. Pinheiro critica a retirada de crédito voltado a exportação com foco em construção pesada.

Financiamento, custos e críticas

Críticos destacam a inadimplência de alguns governos em contratos no exterior. Um exemplo citado envolve Cuba e o Porto Mariel, com impactos financeiros que teriam ficado a cargo do Tesouro Nacional por meio do BNDES, via Fundo de Garantia à Exportação (FGE). O FGE é visto como instrumento de seguro, com superavit para o Tesouro.

Apesar das críticas, o FGE teria permitido que parte dos recursos fosse recuperada, minimizando o risco para o BNDES. As obras financiadas no exterior seriam, segundo especialistas, parte de uma estratégia mais ampla de geração de empregos e de integração de cadeias produtivas.

Perspectivas e cenário atual

O ranking global em 2020 tinha a China na liderança, com 26% do mercado, seguida pela Espanha com 15%. Pinheiro afirma que o Brasil poderia mirar patamar próximo ao que a Turquia atingou em 2020, cerca de 4% do mercado global, com ajustes no crédito à exportação e na política de incentivo à engenharia.

O Sinicon ressalta que algumas construtoras brasileiras já atuam no exterior com linhas de crédito locais para clientes públicos e privados. A melhoria do acesso a crédito no Brasil é apontada como fator-chave para ampliar a participação nacional no mercado externo.

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