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Ampla oferta de milho no mercado chinês pressiona preços globais

Safra chinesa registra recorde enquanto o volume de importações brasileiras pressiona preços globais do milho

A colheita da China coincidirá com grandes chegadas de milho do Brasil
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  • A China iniciou a colheita de milho, com a safra 2023/24 prevista em 285 milhões de toneladas métricas, alta de 2,9% em relação ao ano anterior, com chuvas fortes que ajudaram o crescimento em algumas regiões.
  • A combinação de grande oferta chinesa e grandes chegadas de milho do Brasil deve injetar milho no mercado nas próximas semanas, pressionando os preços globais já próximos das mínimas de três anos.
  • A China deve importar cerca de 20 milhões de toneladas de milho na temporada 2023/24, com o Brasil respondendo por um terço dessas compras; o Brasil pode superar os Estados Unidos como maior exportador pela segunda temporada consecutiva.
  • O contrato de milho para novembro na bolsa de Dalian caiu em torno de 5% neste mês, para 2.602 iuans por tonelada, enquanto rações também recorrem à cevada australiana ante a queda prevista dos preços do milho.
  • A qualidade da próxima safra ainda é incerta, já que milho do Mar Negro e da América do Sul compete com o milho chinês mais caro localmente.

A China já iniciou a colheita de milho, com a produção esperando superar o total de 2023. Os analistas apontam que tufões no verão prejudicaram plantações no norte, mas chuvas recentes ajudaram a manter o ritmo. A safra chinesa tende a coincidir com fortes chegadas de milho do Brasil nas próximas semanas.

A demanda chinesa por milho tende a pressionar os preços globais, já próximos de mínimas em três anos. O impacto deve reverberar sobre o custo de rações e o consumidor final, ao reduzir a pressão inflacionária de outros grãos.

Perspectivas de produção e importações da China

O Ministério da Agricultura prevê recorde de 285 milhões de toneladas na safra 2023/24, frente 277 milhões no ano anterior. Estimativas de analistas variam, com a Shanghai JC Intelligence em 269,5 milhões e a StoneX em cerca de 280 milhões de toneladas.

A chuva recente elevou a umidade do solo no nordeste e ajudou a compensar perdas em outras regiões, ainda que a qualidade da safra permaneça incerta. O avanço da colheita China acompanha importações maiores do Brasil.

Cerca de 254 mil toneladas métricas chegaram do Brasil em agosto, segundo alfândega local. A JCI projeta importação chinesa de 20 milhões de toneladas na temporada 2023/24, com um terço vindo do Brasil.

Mercado brasileiro e preço dos granos

Traders observam que o Brasil deve superar os EUA como maior exportador pela segunda vez consecutiva, com preços de embarque em torno de 270 dólares por tonelada para dezembro. Mesmo assim, a China continua comprando milho brasileiro, segundo analistas.

Para o mercado chinês, além do milho, há compras de cevada australiana a preço competitivo após suspensão de tarifas antidumping, utilizada como compensação entre culturas. A participação de milho sul-americano tende a intensificar-se neste ciclo.

O contrato de milho novembro na Dalian recuou cerca de 5% neste mês, atingindo 2.602 yuans por tonelada, refletindo o cenário de oferta global abundante. Complementa a tendência de queda nos futuros de referência em Chicago.

Observações sobre qualidade e logística

Especialistas destacam que a qualidade da próxima safra chinesa permanece incerta e depende de condições climáticas futuras. O custo de produção interno e a relação com importações moldam as margens de produtores e rações.

A redução de preços internacionais tende a favorecer criadores de suínos e aves na China, que demandam milho para alimentação e enfrentaram dificuldades financeiras ao longo do ano. A dinâmica global segue sujeita a fluxos de abastecimento do Atlântico ao Pacífico.

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