- Donald Trump prometeu que todo o bitcoin restante seja “fabricado nos EUA” (made in USA), mas a prática é improvável devido à descentralização das blockchains.
- A promessa foi feita em publicação na Truth Social, após encontro em Mar-a-Lago com executivos de mineração de criptomoedas.
- O setor depende de energia barata e de equipamentos importados da China; custos de energia elevam o desafio para tornar a mineração totalmente nacional.
- A mineração de bitcoin nos EUA cresceu, mas a capacidade de computação dos mineradores americanos fica abaixo de cinquenta por cento da rede global.
- Há expansão internacional de operações, com atividades na África, América do Sul e outras regiões, enquanto concorrentes estrangeiros capturam lucratividade na indústria.
Donald Trump prometeu apoiar a mineração de bitcoin nos EUA com a ideia de que todo o bitcoin remanescente seja “fabricado nos EUA”. A promessa foi feita em junho, em publicação na Truth Social, após encontro em Mar-a-Lago com executivos do setor.
O objetivo é transformar o apoio político em ações práticas, segundo a reportagem da Bloomberg. No entanto, especialistas dizem que a ideia é difícil de realizar, já que as blockchains são redes descentralizadas e abertas a participantes de qualquer lugar.
O encontro com executivos de mineração ocorreu quando o ex-presidente ainda era candidato à reeleição. A promessa surge em meio à visão de Trump de apoiar o setor, que tem ganhado apoio entre mineradores, fornecedores de energia e fabricantes de equipamentos.
Especialistas ouvidos dizem que a ideia não muda a natureza descentralizada do bitcoin. Mesmo com incentivos, não há como proibir a participação de outros países ou restringir a atividade de mineradores de fora dos EUA.
No cenário global, operações de grande escala competem por receita que chega a dezenas de bilhões de dólares. O custo de energia e a disponibilidade de capital são fatores críticos para a localização de novas operações.
Estima-se que cerca de 95% dos 21 milhões de bitcoins já tenham sido minerados. O limite de emissão não deve chegar antes de cerca de 100 anos, segundo análises de mercado.
Nos EUA, a mineração cresceu nos últimos anos, tornando-se uma indústria multibilionária. Ainda assim, o poder de computação das mineradoras americanas representa menos de 50% da rede global, segundo analistas.
Entretanto, grandes players dos EUA, como a Luxor Technology, divulgam dados de mineração por meio de software que agregam poder de computação e ajudam a estimar a participação regional.
Mineradoras americanas, incluindo CleanSpark e Riot Platforms, apoiaram publicamente Trump, na expectativa de que políticas públicas aliviassem questões ambientais, reduzissem pressão externa e flexibilizassem diretrizes do governo Biden.
O apoio do setor às criptomoedas contribuiu com valores significativos para campanhas, estimando-se dezenas de milhões de dólares na última eleição, segundo analistas.
A pandemia de sanções econômicas e a inflação ajudam a explicar o aumento de operações de mineradores estrangeiros. Países do Leste Europeu, como o Cazaquistão, registram maior demanda.
Há sinais de recuperação da mineração na China, após a proibição de 2021, com perspectivas de crescimento na Rússia, segundo analistas do setor.
Na África e na América do Sul, margens de mineração são atraentes devido a energia barata. A Etiópia, por exemplo, destaca-se pela hidroeletricidade em expansão.
Operadores também expandem no exterior. A MARA Holdings divulgou planos de joint venture com fundo soberano em Abu Dhabi para criar uma das maiores operações do Oriente Médio.
Nos EUA, muitos mineradores oferecem serviços de hospedagem, capturando clientes nacionais e estrangeiros que alugam máquinas para minerar.
Entre os desafios, destaca-se a dependência de equipamentos fabricados na China, especialmente da Bitmain. Uma guerra comercial poderia elevar custos, prejudicando parte da indústria.
Taras Kulyk, CEO da Synteq Digital, aponta que mercados na África, Ásia e Oriente Médio têm mostrado crescimento, com expansão de demanda por hardware e energia. Ele ressalta o dinamismo global da mineração.
- O que aconteceu: Trump prometeu apoiar a mineração de bitcoin nos EUA, com foco em produção “made in USA”.
- Quem está envolvido: Donald Trump, executivos de mineração de criptomoedas e analistas do setor.
- Quando: anúncio feito em junho, durante reunião em Mar-a-Lago.
- Onde: Estados Unidos, com referência internacional para o cenário global.
- Por quê: promessa ligada à possibilidade de incentivo energético e a redução de influência externa sobre o setor.
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