A perda significativa de gelo na Groenlândia está revelando recursos naturais, tornando acessíveis algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo. A ilha, localizada entre os oceanos Ártico e Atlântico Norte, tem passado por transformações devido à crise climática nas últimas décadas. Um estudo da Universidade de Leeds, publicado no ano passado, indicou que […]
A perda significativa de gelo na Groenlândia está revelando recursos naturais, tornando acessíveis algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo. A ilha, localizada entre os oceanos Ártico e Atlântico Norte, tem passado por transformações devido à crise climática nas últimas décadas. Um estudo da Universidade de Leeds, publicado no ano passado, indicou que a Groenlândia está se tornando cada vez mais verde, com áreas de gelo sendo substituídas por pântanos e rochas expostas. Cientistas alertam que a perda de massa de gelo pode aumentar as emissões de gases de efeito estufa e elevar o nível do mar.
Para as empresas de mineração, a retirada do gelo pode iniciar uma “corrida do ouro” mineral. Roderick McIllree, diretor da empresa britânica 80 Mile, destacou que as águas ao redor da Groenlândia estão se abrindo mais cedo e fechando mais tarde a cada ano, facilitando o acesso a locais remotos. A empresa está desenvolvendo três projetos na ilha, incluindo uma concessão de petróleo na costa leste e um projeto de titânio próximo à base espacial Pituffik, no noroeste. McIllree afirmou que o projeto Disko pode ser uma das maiores ocorrências de níquel e cobre do planeta.
Tony Sage, CEO da Critical Metals Corporation, também mencionou que o derretimento do gelo trouxe vantagens logísticas para a mineração. A empresa conseguiu trazer grandes navios diretamente do Atlântico Norte até a borda do corpo de minério em Tanbreez, no sul da Groenlândia. No entanto, Sage ressaltou que a falta de infraestrutura, como ferrovias e estradas, representa um desafio para as empresas de mineração. A logística é complicada, e viagens entre cidades exigem o uso de helicópteros.
A Groenlândia, que se posiciona como uma alternativa ocidental à monopólio da China em elementos de terras raras, está no centro de uma tempestade geopolítica. O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou interesse em controlar o território, considerando-o uma “necessidade absoluta” para a segurança nacional. O primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, afirmou que a ilha está aberta a laços mais estreitos com os EUA, especialmente na mineração, mas reiterou que “não está à venda”. Jakob Kløve Keiding, do Serviço Geológico da Dinamarca e Groenlândia, destacou que a Groenlândia possui um grande potencial mineral, mas a exploração ainda está em estágios iniciais, com muitos dados ainda não disponíveis.
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