Uma descoberta acidental, realizada há 30 anos, transformou a viticultura chilena ao reintroduzir a uva Carménère, considerada extinta. O cientista francês Jean Michel Boursiquot fez essa identificação em novembro de 1994, durante uma visita ao Chile. A Carménère, que havia desaparecido devido à praga da filoxera no século XIX, é atualmente a quinta variedade mais […]
Uma descoberta acidental, realizada há 30 anos, transformou a viticultura chilena ao reintroduzir a uva Carménère, considerada extinta. O cientista francês Jean Michel Boursiquot fez essa identificação em novembro de 1994, durante uma visita ao Chile. A Carménère, que havia desaparecido devido à praga da filoxera no século XIX, é atualmente a quinta variedade mais cultivada no país.
A filoxera, um inseto devastador, chegou à França na segunda metade do século XIX, causando a destruição de vinhedos. Boursiquot explica que, ao tentar introduzir variedades americanas, como a Isabel, a filoxera se espalhou, levando à extinção de muitas uvas, incluindo a Carménère. Durante sua visita ao Chile, Boursiquot notou que o que era considerado Merlot na verdade continha uma quantidade significativa de Carménère, o que levou à sua redescoberta.
Após a identificação, a viticultura chilena passou por uma revolução. Ana María Cumsille, enóloga da Viña Carmen, recorda que o Chile vendia Merlot sem saber que era Carménère. A decisão de ser transparente sobre a verdadeira variedade foi crucial, resultando na necessidade de registrar a Carménère para rotulagem. A primeira safra foi lançada em 1994, e a variedade começou a ganhar reconhecimento internacional.
Desde então, a área cultivada de Carménère no Chile aumentou para cerca de 10.000 hectares. Os vinhos produzidos evoluíram de estilos pesados e alcoólicos para opções mais elegantes e complexas. Sebastián Labbé, enólogo da Santa Rita, destaca a importância de cultivar a Carménère em regiões adequadas, como o Vale de Apalta, onde as condições climáticas favorecem a degradação de compostos indesejados. A Carménère, que antes não era valorizada na França, encontrou no Chile um ambiente ideal para prosperar.
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