A recente crise do Pix destacou um fenômeno crescente no Brasil: a bancarização da população de baixa renda por meio das fintechs. Nos últimos dez anos, cerca de 60 milhões de brasileiros ingressaram no sistema financeiro, um número que representa mais da metade da força de trabalho do país, estimada em 110,6 milhões de pessoas. […]
A recente crise do Pix destacou um fenômeno crescente no Brasil: a bancarização da população de baixa renda por meio das fintechs. Nos últimos dez anos, cerca de 60 milhões de brasileiros ingressaram no sistema financeiro, um número que representa mais da metade da força de trabalho do país, estimada em 110,6 milhões de pessoas. O sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central (BC), acelerou essa inclusão. No entanto, a tentativa do governo de aumentar a fiscalização sobre movimentações acima de R$ 5 mil gerou resistência entre os novos correntistas, que temem taxação e complicações fiscais.
Ruan Alves da Silva, um vendedor ambulante de 26 anos, exemplifica essa nova realidade. Ele abriu uma conta em um banco digital, o que facilitou suas vendas, que variam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil mensais. Ruan atribui seu sucesso à possibilidade de gerenciar suas finanças de forma mais eficaz. Segundo a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), 80% dos novos bancarizados realizam transações entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por mês, utilizando principalmente o Pix para pagamentos e microcréditos.
O crescimento do uso do Pix é notável, com 150 milhões de usuários ativos. O diretor da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Ivo Mósca, prevê que o Pix continuará a registrar recordes de transações, especialmente com novas funcionalidades. O chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do BC, Luis Gustavo Mansur Siqueira, destaca que 87% das contas são ativas, evidenciando a importância do Pix na inclusão financeira, especialmente entre beneficiários do Bolsa Família.
Por outro lado, a ACI Worldwide projetou que golpes financeiros com o Pix podem gerar prejuízos de até R$ 11 bilhões nos próximos três anos. As fraudes devem crescer 39% em relação aos R$ 2,2 bilhões registrados em 2023. A pesquisa revelou que a maioria das fraudes envolve a venda de produtos inexistentes e promessas enganosas de retorno financeiro. O uso de inteligência artificial por criminosos para tornar os golpes mais convincentes é uma preocupação crescente, mas a tecnologia também pode ser uma aliada na prevenção de fraudes.
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