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Inflação acima da meta não justifica temor no mercado, afirma economista Zeina Latif

- A inflação no Brasil atingiu 4,83%, superando a meta de 4,5% do Banco Central. - Zeina Latif, da Gibraltar Consulting, destaca a crise de confiança nas contas públicas. - A economista acredita que o governo atual não repetirá erros do passado. - Latif aponta que o ajuste fiscal será lento, sem fôlego político para mudanças rápidas. - Apesar das críticas, ela vê sinais de preocupação do governo com a situação fiscal.

A inflação ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC) para 2024, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrando o ano em 4,83%, acima do limite de 4,5%. Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, destacou que os fundamentos econômicos não justificam a desconfiança do mercado em relação ao governo federal. […]

A inflação ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC) para 2024, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrando o ano em 4,83%, acima do limite de 4,5%. Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, destacou que os fundamentos econômicos não justificam a desconfiança do mercado em relação ao governo federal. Segundo ela, a tensão atual é reflexo da crise de confiança dos agentes econômicos nas contas públicas e no comprometimento do governo com o ajuste fiscal.

Latif apontou que um dos fatores que contribui para a alta dos preços é o chamado “impulso fiscal”, que resulta em um aumento dos gastos do consumidor. Essa situação gera um cenário fiscal que preocupa os investidores, que não se baseiam apenas em números, mas também nas expectativas sobre a postura do governo. A economista ressaltou que a confiança do mercado está diretamente ligada à percepção de que o governo está disposto a realizar as reformas necessárias.

A demora na implementação de novas medidas pelo governo é uma das principais críticas do mercado. Latif observou que não há espaço político suficiente para um ajuste estrutural significativo. Ela acredita que as medidas orçamentárias serão apresentadas de forma gradual, como ocorreu no ano anterior, o que limita as ações do governo. Apesar disso, Latif vê um sinal positivo na atenção que o governo atual demonstra em comparação ao anterior, embora alguns agentes do mercado, como o Deutsche Bank, tenham uma visão mais pessimista.

Por fim, Latif afirmou que não observa uma repetição do governo Dilma, destacando que o atual governo do PT demonstra preocupação e está mais aberto a negociações no Congresso, mesmo que suas ações sejam tímidas. Essa postura, segundo ela, é um indicativo de que o governo está ciente dos desafios e busca uma abordagem mais cautelosa em relação à economia.

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