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Cientistas se unem para combater a proliferação de pesquisas fraudulentas em papelarias

- A produção de pesquisas fraudulentas, impulsionada por "paper mills", cresce desde 2013. - Estima-se que 400 mil artigos entre 2000 e 2022 sejam de origem duvidosa. - Cientistas se unem para investigar e expor publicações problemáticas, revelando milhares de artigos. - A iniciativa United2Act busca aumentar a conscientização e melhorar correções pós-publicação. - A exploração de inteligência artificial por essas indústrias levanta preocupações sobre a integridade científica.

A produção de pesquisas fraudulentas se tornou uma indústria em expansão, impulsionada por redes conhecidas como paper mills, que vendem autoria de artigos e manuscritos científicos de baixa qualidade ou fabricados. Esses grupos têm violado o processo de revisão por pares, oferecendo avaliações falsas, e a proliferação desses serviços tem superado os mecanismos de autocorreção […]

A produção de pesquisas fraudulentas se tornou uma indústria em expansão, impulsionada por redes conhecidas como paper mills, que vendem autoria de artigos e manuscritos científicos de baixa qualidade ou fabricados. Esses grupos têm violado o processo de revisão por pares, oferecendo avaliações falsas, e a proliferação desses serviços tem superado os mecanismos de autocorreção existentes. Desde 2013, quando surgiram as primeiras evidências de autoria à venda, estima-se que pelo menos 400 mil artigos publicados entre 2000 e 2022 apresentem características de terem sido produzidos por essas fábricas, mas apenas 55 mil foram retratados ou corrigidos nesse período.

Um grupo de cientistas, que se autodenominam detetives da integridade, tem se unido nos últimos três anos para identificar publicações provenientes de paper mills. Eles se especializam em detectar sinais como imagens manipuladas, plágio e padrões incomuns de coautoria. Apesar de seu conhecimento, esses especialistas dependem de instituições e editores de periódicos para investigar e corrigir os artigos que sinalizam, e acreditam que a comunidade científica está mal preparada para lidar com essa questão. Iniciativas como a United2Act buscam aumentar a conscientização sobre o problema e melhorar a correção pós-publicação.

Os paper mills prosperam devido a sistemas de avaliação que utilizam métricas de publicação, criando incentivos para a má conduta. Um estudo revelou que 95% das faculdades de biomedicina utilizam o número de artigos revisados por pares como métrica de desempenho. Instituições frequentemente não punem pesquisadores que utilizam esses serviços, possivelmente por falta de conhecimento ou receio de riscos reputacionais. Além disso, práticas como a aceitação de artigos por editores em troca de dinheiro têm sido observadas, especialmente em edições especiais organizadas por acadêmicos com pouca supervisão.

Para combater a proliferação de pesquisas fraudulentas, é crucial que a comunidade científica implemente medidas eficazes. Isso inclui aumentar a educação sobre paper mills em cursos de doutorado, promover a ciência aberta e exigir dados brutos de estudos. Ferramentas como o Problematic Paper Screener podem ajudar na identificação de artigos suspeitos. A detecção de fraudes deve ocorrer antes da publicação, e editores devem estar atentos a violações do processo de revisão, como sugestões de revisores falsos. Um sistema rigoroso de desambiguação de autores também é necessário para identificar aqueles associados repetidamente a atividades de paper mills.

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