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Preços de alimentos podem subir até 20% em 2024; carnes e café são os principais vilões

- Economistas projetam alta de até 20% nos preços de carne e café em 2024. - O governo busca medidas para mitigar impactos, temendo repercussões eleitorais. - Safra agrícola recorde pode ajudar a conter aumentos, mas não para carnes. - Desvalorização do real e baixa oferta global elevam custos de alimentos. - Estoques de café estão zerados desde 2018, dificultando controle de preços.

Os brasileiros devem se preparar para um aumento nos preços de alimentos em 2024, com economistas apresentando previsões divergentes sobre a magnitude da alta. Embora a expectativa geral seja de que itens como carnes e café subam significativamente, a alta não será generalizada. Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, projeta um aumento de 5% […]

Os brasileiros devem se preparar para um aumento nos preços de alimentos em 2024, com economistas apresentando previsões divergentes sobre a magnitude da alta. Embora a expectativa geral seja de que itens como carnes e café subam significativamente, a alta não será generalizada. Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, projeta um aumento de 5% nos preços dos alimentos, abaixo da média histórica de 7%. Ele destaca que a carne bovina e o café serão os principais responsáveis por essa alta, com aumentos esperados de 7,5% e 20%, respectivamente.

Alexandre Maluf, economista da XP, prevê uma alta ainda mais acentuada, de até 9,2% nos preços de alimentos e bebidas. Ele aponta que a carne bovina pode ter um aumento de até 20%, enquanto o frango deve subir 14%. Maluf observa que a escalada de preços no final de 2024 pode se repetir no segundo semestre deste ano, e que a restrição de oferta no mercado internacional de café pode dificultar a contenção dos preços.

José Carlos Hausknecht, da MB Agro, explica que a alta dos preços do café e das carnes no mercado internacional é resultado da baixa oferta global e da desvalorização do real frente ao dólar, que encarece os custos internos. Atualmente, o preço da saca de café arábica de 60kg atinge R$ 2.387,85, um aumento de 132% em um ano. Hausknecht sugere que a redução do câmbio seria uma medida eficaz para conter os preços.

Heron do Carmo, professor da USP, acredita que a inflação dos alimentos em 2025 deve se alinhar à média geral de preços, projetada em 5,5%. Ele ressalta que a alta da carne bovina está ligada ao ciclo da pecuária e que a política fiscal do governo será crucial para estabilizar os preços. O Ministério do Desenvolvimento Agrário reconhece a influência de fatores climáticos e do aumento de preços internacionais, mas destaca a expectativa de uma safra recorde de 322,3 milhões de toneladas, o que pode ajudar a mitigar os impactos no mercado interno.

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