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Empreendedorismo se destaca como caminho de empoderamento para pessoas trans no Brasil

- O empreendedorismo é visto como alternativa para 80% da população trans no Brasil. - O Pink Money alcançou R$ 418,9 bilhões em 2024, impulsionando negócios trans. - A marca Cara Gente Cis foca em moda inclusiva, promovendo identidade trans. - Desafios incluem falta de dados e uso do nome social em documentos oficiais. - Projetos de fomento são essenciais para reduzir barreiras e promover inclusão.

O empreendedorismo tem se tornado uma alternativa significativa para a população trans no Brasil, com 80% das pessoas trans considerando empreender, segundo a pesquisa “Um olhar para as pessoas trans no mercado de trabalho”, realizada pela Nhaí em 2023. Raquel Virgínia, fundadora da Nhaí, destaca que esse interesse é reflexo do preconceito enfrentado, que leva […]

O empreendedorismo tem se tornado uma alternativa significativa para a população trans no Brasil, com 80% das pessoas trans considerando empreender, segundo a pesquisa “Um olhar para as pessoas trans no mercado de trabalho”, realizada pela Nhaí em 2023. Raquel Virgínia, fundadora da Nhaí, destaca que esse interesse é reflexo do preconceito enfrentado, que leva muitos a buscarem fontes alternativas de renda. Além disso, Georgia Nunes, do Sebrae, aponta que negócios liderados por pessoas trans frequentemente se tornam referências na comunidade LGBTQIAP+.

O potencial do mercado é evidente, com o Pink Money estimado em R$ 418,9 bilhões em 2024, conforme a Out Leadership. Um exemplo é a marca de roupas Cara Gente Cis, que se dedica a criar peças com mensagens afirmativas. Jamil Ribeiro, cofundador da marca, ressalta que a indústria da moda ainda é predominantemente voltada para corpos cis, e a proposta de suas roupas busca ocupar esse espaço e valorizar a identidade trans.

Os setores mais procurados por empreendedores trans incluem moda, beleza e gastronomia, áreas que oferecem maior segurança e menores barreiras de entrada. Raquel Virgínia explica que esses segmentos são escolhidos por serem menos suscetíveis à transfobia, ao contrário de setores como tecnologia e finanças. A Capacitrans, organização que apoia pessoas trans em vulnerabilidade, confirma essa tendência, com 60% dos participantes do programa empreendendo nessas áreas.

Entretanto, a falta de dados precisos sobre a população trans no Brasil representa um desafio. Uma pesquisa de 2021 indicou que 2% da população adulta é transgênero ou não-binária, totalizando cerca de 3 milhões de pessoas. A ausência de informações oficiais dificulta a compreensão das barreiras enfrentadas por esses empreendedores, como a dificuldade de usar o nome social em documentos. Georgia Nunes enfatiza a importância de iniciativas que promovam o empreendedorismo trans, pois são fundamentais para reduzir as barreiras históricas e estruturais que essa população enfrenta.

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