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Cláusulas abusivas em contratos de trabalhadores da BYD geram investigação em Camaçari

- A BYD constrói fábrica em Camaçari, Bahia, após saída da Ford em 2021. - Auditores libertaram 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão. - Cláusulas abusivas em contratos incluem retenção de passaportes e multas. - A BYD nega conhecimento das irregularidades, mas é responsabilizada. - Políticos locais temem que projetos chineses comprometam empregos brasileiros.

Os trabalhadores chineses que vieram ao Brasil para a construção da nova fábrica da BYD em Camaçari, Bahia, recebiam aproximadamente 70 dólares por turno de 10 horas, um valor que supera em mais de duas vezes o salário mínimo na China. Essa atraente remuneração levou muitos a aceitarem a proposta, mas as condições de trabalho […]

Os trabalhadores chineses que vieram ao Brasil para a construção da nova fábrica da BYD em Camaçari, Bahia, recebiam aproximadamente 70 dólares por turno de 10 horas, um valor que supera em mais de duas vezes o salário mínimo na China. Essa atraente remuneração levou muitos a aceitarem a proposta, mas as condições de trabalho se revelaram problemáticas. Os trabalhadores, contratados pela Jinjiang, precisaram entregar seus passaportes e pagar um caução de quase 900 dólares, que só seria devolvido após seis meses de serviço, conforme um contrato que violava leis trabalhistas de ambos os países.

A situação foi classificada como “condições análogas à escravidão” por auditores fiscais que, em uma operação recente, encontraram os trabalhadores vivendo em alojamentos precários, com até 31 pessoas em uma única casa. O contrato de trabalho continha cláusulas que permitiam à empresa prorrogar o vínculo por mais seis meses e aplicar multas por comportamentos considerados inadequados. Especialistas em legislação trabalhista apontaram que a retenção de passaportes e a exigência de caução são práticas que indicam trabalho forçado.

A Jinjiang contestou as alegações, afirmando que as conclusões dos auditores eram baseadas em traduções errôneas. O vice-presidente da BYD Brasil, Alexandre Baldy, declarou que a empresa não tinha conhecimento das irregularidades até o final de novembro, quando a situação foi reportada pela imprensa. Após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a montadora se comprometeu a resolver a questão, embora Baldy tenha negado discutir o assunto com Lula.

A investigação gerou preocupações na comunidade local, especialmente em relação a outros projetos de empresas chinesas na Bahia. O deputado estadual Alan Sanches enfatizou que o desenvolvimento não pode ocorrer à custa de trabalho escravo. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou que a BYD ainda deve criar 10 mil empregos locais, mas ressaltou a necessidade de garantir condições de trabalho adequadas. O sindicato local já alertou a empresa sobre a possibilidade de greve caso os trabalhadores brasileiros sejam preteridos em favor dos chineses.

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