A B3, bolsa de valores brasileira, enfrenta um cenário desafiador, com um aumento nas ofertas públicas para aquisição de ações (OPAs) e um período prolongado sem novas listagens. O Ibovespa, principal índice da bolsa, registrou uma queda de 10,4% em 2024, refletindo a fuga de investidores em busca de retornos mais seguros na renda fixa […]
A B3, bolsa de valores brasileira, enfrenta um cenário desafiador, com um aumento nas ofertas públicas para aquisição de ações (OPAs) e um período prolongado sem novas listagens. O Ibovespa, principal índice da bolsa, registrou uma queda de 10,4% em 2024, refletindo a fuga de investidores em busca de retornos mais seguros na renda fixa e títulos da dívida americana. A expectativa é que essa tendência de deslistagens se intensifique, especialmente com a continuidade do ciclo de juros altos sob a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central.
As OPAs não são exclusivas a empresas com problemas financeiros; muitas companhias saudáveis também estão optando por sair da bolsa. Vanessa Fiusa, sócia do escritório Mattos Filho, destaca que “as ações brasileiras estão baratas”, o que leva controladores a considerar a deslistagem como uma estratégia para reestruturar suas operações. Em 2024, foram registradas nove OPAs, o maior número em cinco anos, incluindo a saída da Cielo, que buscou simplificar sua estrutura após perder participação de mercado.
O fenômeno das deslistagens é impulsionado pela baixa liquidez das ações na B3, o que torna as empresas menos atraentes para investidores. Daniel Wainstein, da Seneca Evercore, observa que a falta de liquidez pode deixar as empresas “esquecidas” no mercado, dificultando a execução de estratégias de investimento. Além disso, as OPAs podem ocorrer em contextos de fusões e aquisições, como a saída do Banco Modal da B3 após ser adquirido pela XP.
Mudanças regulatórias recentes também devem facilitar as OPAs, permitindo que uma única oferta atenda tanto à aquisição de controle quanto ao cancelamento de registro. Fernando de Andrade Mota, da B3, afirma que essa simplificação é positiva para o sucesso das operações. Com o cenário econômico atual e a expectativa de juros altos, o mercado de ações pode continuar a ver mais deslistagens do que novas aberturas de capital.
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