O câmbio brasileiro iniciou 2025 com uma dinâmica distinta em relação ao final do ano anterior, quando o dólar teve uma valorização significativa. Em janeiro, a moeda americana caiu 5,54% frente ao real, marcando o pior desempenho do dólar em um mês de janeiro desde 2019. Essa mudança é atribuída a diversos fatores, sendo um […]
O câmbio brasileiro iniciou 2025 com uma dinâmica distinta em relação ao final do ano anterior, quando o dólar teve uma valorização significativa. Em janeiro, a moeda americana caiu 5,54% frente ao real, marcando o pior desempenho do dólar em um mês de janeiro desde 2019. Essa mudança é atribuída a diversos fatores, sendo um deles a diminuição do temor em relação à nova administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levou a um desmonte de posições compradas em dólar. Além disso, a postura conservadora do Banco Central do Brasil, que elevou a Selic e interveio ativamente no mercado, também contribuiu para a recuperação do real.
Apesar da expectativa de entrada de capital no Brasil, os dados do fluxo cambial até 25 de janeiro indicam uma saída líquida de quase US$ 8 bilhões, sugerindo que a pressão sobre o câmbio pode ter sido mais influenciada pelo posicionamento dos investidores do que por fatores externos. O chefe de multimercados do ASA, Filippe Santa Fé, destacou que a correção dos preços do câmbio está ligada à abordagem menos imediatista de Trump, o que reduziu a necessidade de manter posições elevadas em dólar. Ele também ressaltou a importância da intervenção do Banco Central em dezembro, que injetou US$ 21,57 bilhões no mercado, como uma ação crucial para estabilizar a moeda.
Estratégias do HSBC corroboram a eficácia da intervenção do Banco Central, que, embora não tenha defendido um nível específico para o câmbio, ajudou a mitigar pressões de depreciação. Os economistas afirmam que, apesar de riscos internos e externos, o pior pode ter passado para o real. Na última sexta-feira, o dólar ganhou força após a confirmação de tarifas sobre produtos do Canadá, México e China, mas o real conseguiu se valorizar, alcançando a 10ª sessão consecutiva de valorização.
No entanto, há uma percepção de que o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros começou a ser reduzido. Dados recentes sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho indicam um desempenho mais fraco, levando a discussões sobre a dominância fiscal. Santa Fé, por outro lado, argumenta que não há razão para temer a dominância fiscal, enquanto a taxa de juros permanece atrativa. Ele expressou preocupações sobre a deterioração das expectativas de inflação e a postura do Banco Central, que, segundo ele, pode ter se tornado mais arriscada. A visão de que o real pode enfrentar dificuldades para se fortalecer frente ao dólar é compartilhada por analistas, que destacam a necessidade de cortes significativos de gastos para impulsionar a moeda.
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