Neste final de semana, a cena artística do México foi impactada por uma potencial guerra comercial, enquanto artistas, galeristas e consultores de arte se reuniam em Guadalajara para o ART WKND GDL. A incerteza paira sobre a Zona Maco, que inicia sua 21ª edição na quarta-feira em Cidade do México, após o presidente dos EUA, […]
Neste final de semana, a cena artística do México foi impactada por uma potencial guerra comercial, enquanto artistas, galeristas e consultores de arte se reuniam em Guadalajara para o ART WKND GDL. A incerteza paira sobre a Zona Maco, que inicia sua 21ª edição na quarta-feira em Cidade do México, após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar ordens executivas que impõem tarifas de 25% sobre produtos mexicanos, com início previsto para terça-feira. Contudo, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou que as tarifas foram adiadas por um mês, em troca do envio de 10 mil membros da Guarda Nacional para reforçar a fronteira norte e combater o tráfico de drogas.
A preocupação com os efeitos das tarifas sobre o mercado de arte e a economia mexicana é palpável. Issa Benitez, fundadora da galeria Proyecto Paralelo, expressou que tanto ela quanto os 26 membros da GAMA estão apreensivos com as possíveis consequências das tarifas, especialmente considerando as desvalorizações anteriores do peso. Gabriela Siller, do Banco Base, alertou que as tarifas podem resultar em aumento do desemprego e preços, exigindo uma política fiscal contracíclica do governo de Sheinbaum para evitar uma crise econômica.
A incerteza é acentuada pela falta de diálogo entre a GAMA e o governo, o que Benitez atribui à orientação política da administração atual. Alexandra Lovera, da galeria Proyectos Monclova, afirmou que a liderança da galeria não discutiu o impacto das tarifas, pois ainda não está claro como isso afetará suas operações. Muitas galerias mexicanas, como a Proyectos Monclova, estão registradas nos EUA por razões financeiras, o que complica ainda mais a situação.
Graham Wilson, fundador da Swivel Gallery em Nova York, considera as tarifas como parte do custo de fazer negócios, mas observa que a cena artística mexicana tem se fortalecido independentemente dos EUA. Ele acredita que, apesar das tarifas, a diferença de preços entre os dois países não deve desestimular colecionadores. Benitez, por sua vez, sugere que o comportamento de compra dos colecionadores mexicanos é muitas vezes imprevisível, destacando que o cenário atual pode surpreender, com a possibilidade de um ano excepcional para o mercado de arte, mesmo com as tarifas iminentes.
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